Leonard Nimoy partiu, mas sua fotografia fica para sempre


Você conhece Leonard Nimoy, o ator que deu vida a um dos grandes ícones da ficção científica, o Sr. Spock de Jornada nas Estrelas. Porém, poucos conhecem Leonard Nimoy, o fotógrafo que, nas últimas décadas, se firmou como um dos mais importantes artistas da imagem nos Estados Unidos.

Eu já sabia do fascínio que o Sr Nimoy tinha pela fotografia, mas somente nos últimos anos é que fui entender a importância de sua produção para a arte e cultura americana. Diz a lenda, que o jovem Nimoy começou a se interessar pela arte fotográfica no inicio da década de 1940 e, por volta da década de 1970, já era reconhecido como um destaque e referência dentro desta área.

Só para confirmar essa afirmação, suas fotos estão expostas em diversos museus, tendo como destaques o Museum of Fine Arts Houston, Judah L. Magnes Museum, The Los Angeles County Museum of Art, o Museu Judaico de Nova York, o New Orleans Museum of Fine Art e o Museu Hammer. Eu diria que não é pouca coisa. Olhando um pouquinho se seu site pessoal, descobrimos que seu olhar mistura muito de fotografia clássica com uma pitada generosa de polêmica. Uma das séries fotográficas mais conhecidas de sua autoria é “Full Body Project” onde retratou apenas mulheres fora do padrão de beleza imposto pela sociedade atual. Belo e impactante ao mesmo tempo.


Full Body Project

Porém, o último projeto fotográfico que deu notoriedade ao Sr. Nimoy foi intitulada de “Secret Selves”. Aqui a proposta é simples, e por isso mesmo me conquistou totalmente. Ele entrevistou pessoas do cotidiano como professoras, artistas, médicos, engenheiros, e lhes perguntou qual era o seu eu secreto. O que já sonharam para suas vidas e o que lhes trás a satisfação pessoal. Depois, essas pessoas foram convidadas a encarnarem esses personagens e serem fotografadas por Nimoy. O resultado foram pessoas encarnando gangsteres, mulheres fatais e até prostitutas.





Em julho de 2010 foi lançada a exposição e o livro do projeto Secret Selves no Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts.

Hoje é possível achar várias das imagens espalhadas pelo Google e até comprar reproduções de algumas fotos na Amazon. Mesmo que você não entenda nada de fotografia, admita que você gostaria de estar presente nesta exposição.


Infelizmente, no dia de hoje, nos chega a notícia que o ator, fotógrafo e artista Leonard Nimoy nos deixou em decorrência de uma doença pulmonar. Porém, o que importa é que ele viveu sua vida intensamente e nos deixou um legado importante em várias instâncias artísticas. O homem passa, mas o seu legado permanece.


P.S. Estranhamente o site do autor está fora do ar. Talvez por conta de uma reestruturação.

Emmanuel Lubezki leva Oscar por direção de fotografia em “Birdman”

Lubezki é bicampeão do Oscar de direção de fotografia repetindo o triunfo de 2014

Emmanuel Lubezki Morgenstern, apesar do nome complicado, é mexicano e na noite de ontem (23 de fevereiro de 2015) conseguiu a façanha de conquistar pela segunda vez consecutiva a estatueta do Oscar pela direção de fotografia. 

Emmanuel Lubezki conseguiu este feito graças a seu trabalho no filme “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” que também levantou as estatuetas de melhor filme, melhor diretor (o também mexicano Alejandro González Iñarritu) e roteiro original. 

Lubezki foi apenas o quarto em toda a história do Oscar a conseguir tal feito nesta categoria, anteriormente apenas Leon Shamroy (1945/1946), Winton Hoch (1949/1950) e John Toll (1995/1996) haviam conseguido o mesmo.

Em 2014 Lubezki também foi o vencedor, sendo responsável pela direção de fotografia no filme “Gravidade” que teve direção geral de mais um mexicano, Alfonso Cuarón. Uma curiosidade sobre Lubezki e Cuarón é que eles são amigos desde a adolescência, cursaram juntos a UNAM(Universidad Nacional Autónoma de México) e já trabalharam juntos em outros 5 filmes.


Poster do filme Birdman, vencedor do Oscar de melhor filme, melhor diretor, roteiro original e direção de fotografia
Poster do filme Birdman, vencedor do Oscar de melhor filme, 
melhor diretor, roteiro original e direção de fotografia



Emmanuel Lubezki afirmou que este foi “provavelmente” o filme mais difícil de sua carreira e já havia sido indicado ao prêmio de direção de fotografia outras 5 vezes pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas antes de conquistá-lo por duas vezes seguidas:


1996 – A Princesinha, dirigido por Alfonso Cuarón
2000 – A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, dirigido por Tim Burton
2006 – O Novo Mundo, dirigido por Terrence Malick
2007 – Filhos da Esperança (Brasil)/Os Filhos do Homem (Portugal), dirigido por Alfonso Cuarón
2012 – A Árvore da Vida, dirigido por Terrence Malick

Cena do filme Birdman
Cena do filme Birdman



Na categoria de documentários haviam dois filmes relacionados a fotografia disputando a estatueta, “A Fotografia Oculta de Vivian Maier” e o franco-ítalo-brasileiro “O Sal da Terra” sobre o consagrado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Mas o vencedor desta categoria terminou sendo “CitizenFour” sobre o escândalo de espionagem envolvendo a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) e Edward Snowden.

Manipulação de fotografias tem 150 anos de historia

O Photoshop completou 25 anos na última quinta (20). Mas a manipulação de fotografias é feita pela humanidade há pelo menos 150 anos. As primeiras fotografias tratadas artificialmente durante ou depois do registro datam de 1840. A curadora e pesquisadora Mia Fineman reuniu uma série dessas fotografias no livro “Faking It: Manipulated Photography Before Photoshop“, onde traz trabalhos expostos no Metropolitan Museum Of Art.

Fineman mostrou que a manipulação das imagens está intrinsecamente ligado ao surgimento da própria fotografia. Ou seja, as bizarras alterações feitas no Photoshop não são parte de um fenômeno moderno como muita gente pode achar. Segundo seu livro, as primeiras alterações tinham o propósito de entreter através da alteração exagerada da realidade. Era como uma ilusão: cabeças rolando, falta de proporção em objetos e pessoas, etc. Em seguida, as alterações passaram a servir a diversos propósitos, como é hoje.

Nos anos 1920, a manipulação serviu aos movimentos artísticos como o surrealismo e o construtivismo. Já na política foi usada por Stalin, na Rússia, como forma de alterar registros históricos. Veja algumas das manipulações mais conhecidas, exibidas no MoMa, em Nova York.
Cabeça solta (Foto: “Man Juggling His Own Head” (Artista francês desconhecido, publicado por Allain de Torbéchet et Cie. ca. 1880)

Foto:
Uma das técnicas usadas era a sobreposição de negativos. (Foto: “The Vision” (Orpheus Scene), de F. Holland Day. 1907 / Metropolitan Museum of Art).
Foto:
Foto: “Homem no telhado com formação de 11 homens em seus ombros”. c. 1930 (Metropolitan Museum Of Art.

Fotografia sobre a homossexualidade na Rússia ganha o World Press Photo

"JON & ALEX" do fotógrafo dinamarquês Mads Nissen  / United Photo Press
Madas Nissem tirou a fotografia em São Petersburgo. Participaram 5.692 fotógrafos de 131 países. Decepção de Messi leva o principal prêmio da fotografia, foto do craque argentino encarando a Taça Fifa faturou o World Press Photo.

Jon e Alex, dois homossexuais de 25 anos num momento de intimidade em São Petersburgo (Rússia), são osprotagonistas da foto do ano 2014, segundo o World Press Photo. Este é o mais importante concurso de fotografia do mundo. O autor é o dinamarquês Mads Nissen, que conseguiu captar "uma imagem esteticamente poderosa e com humanidade", nas palavras de Michele McNally, presidente do júri e directora de fotografia do New York Times. Publicada pelo diário dinamarquês Politiken, é o resultado do trabalho de Nissen sobre a homofobia na Rússia, país que aprovou em 2013 uma lei que proíbe "a propaganda de relações sexuais que não sejam tradicionais".

Nissen esteve dois anos em solo russo para documentar os problemas enfrentados pelos homossexuais. Visitou clubes e foi testemunha da violência com que eram reprimidos pelas forças da ordem em plena rua. Licenciado em jornalismo gráfico, o danês trabalhou também dois anos em Xangai, observando as repercussões sociais e humanas do crescimento económico chinês. As suas fotos apareceram em publicações como a Time, Newsweek, Der Spiegel ou Stern.

Num ano como 2014, marcado pela epidemia do ébola, a guerra na Ucrânia e a tragédia do voo MH17, entre outros conflitos internacionais, o retrato vencedor foi eleito "porque não faz falta ir para a guerra para ganhar o World Press Photo", afirmou Donald Weber, fotógrafo canadiano e membro do júri. "Também há maneiras subtis de abordar assuntos complexos e a homofobia é um problema grave na Rússia", acrescentou. "Os terroristas usam imagens horrorosas para chamar a atenção. Com subtileza e intensidade podemos oferecer uma mensagem mais meditada", advertiu a sua colega Pamela Chen.

O holandês Lars Boering, novo director do concurso, espera convertê-lo num "centro de pensamento do jornalismo gráfico", daí que tenha sido escolhida uma foto sobre o amor: "é uma declaração de intenções". "Não pensamos transformar-nos em activistas, mas vamos participar nos debates. Durante demasiado tempo, o World Press Photo foi uma organização neutra, algo que já não se entende neste momento", afirmou.

À chamada de 2014 apresentaram-se 97.912 imagens de 5.692 fotógrafos procedentes de 131 países. Em 2013, mudaram as regras de selecção, para evitar retoques nos instantâneos. O vencedor de 2012, o sueco Paul Hansen, foi acusado de montar várias fotos até conseguir o efeito desejado: comover o espectador perante um grupo de adultos desesperados, em Gaza, com cadáveres de crianças nos braços. A investigação levada a cabo pelo júri só encontrou "retoques na cor" e descartou a hipótese de fraude.

Superado este incidente, a competição decidiu ampliar a oferta em 2014, abrindo-se a Projectos de Longa Duração, compostos por uma colecção de 24 a 30 fotos, tiradas ao longo de três anos, em que pelo menos quatro deveriam ter sido tiradas ou publicadas, no ano passado. O poder de atracção da nova proposta foi enorme, porque reconhece um trabalho completo. Ao todo, apresentaram-se a esta secção 14.583 imagens que compõem 510 histórias gráficas. A vencedora foi a norte-americana Darcy Padilla, pela sua galeria sobre "a história completa da família de Julie Baird, na qual há pobreza, sida, toxicodependência, mudança de domicílio, diferentes companheiros, nascimentos, mortes, perdas e reencontros".


Esta é a imagem vencedora do tradicional prêmio World Press Photo, que revelou os ganhadores nesta quinta-feira (12). O clique foi feito pelo fotógrafo chinês Bao Tailiang, do jornal Chengdu Economic Daily. A foto, tirada durante a cerimônia de entrega de prêmios após a final da Copa do Mundo, mostra o craque argentino, desolado, encarando o objeto de sua cobiça

“Behind Photographs”


A ideia pode parecer simples, mas sempre achamos isso depois que alguém colocou tal ideia em prática. O fotógrafo Tim Montoani começou a desenvolver esse projeto em 2006 quando alugou uma Polaroid 24 × 30 para registrar imagens dos fotógrafos Jim Marshall e Michael Zagaris. A Unidade Formal não tem complicação nenhuma. Cada fotógrafo é retratado segurando a sua foto mais famosa. Pode parecer simples, mas se trata de você conhecer o autor daquela foto que todo mundo reconhece, mas ninguém nunca se preocupou em saber quem fez.

Depois de anos fotografando, e de ter registrado mais de 150 fotógrafos, Mantoani lançou no começo de 2012 o livro Behind Photographs – Archiving Photographic Legends onde conta toda essa história através de imagens espetaculares. O mais interessante é que a própria câmera escolhida para fazer o ensaio já é uma relíquia.

Em 1976 a Polaroid decidiu construir uma câmera de grande formato que se utilizasse de filme instantâneo. A iniciativa foi planejada para mostrar a qualidade excepcional do filme profissional colorido Polacolor II que seria disponibilizado para o público em chapas de tamanho de 8 × 10 polegadas.

Entre 1977 e 1978 a Polaroid construiu 5 câmeras deste tipo. Elas são montadas em aço e madeira e trabalham com fotogramas de 20 × 24 polegadas. Como parte da ação de marketing, a Polaroid construiu um estúdio em Ames Street, em Cambridge, onde convidou diversos fotógrafos famosos para experimentar o equipamento. Em troca, as imagens eram doadas para ficarem na exposição permanente que acontecia no local.

Embora seja gigantesca e o foco seja feita por um fole, o filme não é produzido em chapas (como em algumas câmeras de grande formato). Na realidade ele é feito em rolo, onde na parte interna temos o negativo (que vai ser exposto à imagem), na parte externa o positivo e entre eles a emulsão química para a revelação.

Na realidade, é como uma Polaroid compacta, só que em tamanho um pouco maior. Você faz a foto, espera um pouco e depois destaca a foto já em positivo finalizada. Neste ponto é impossível mesmo fazer retoques no Photoshop. Assim como no começo da fotografia, o resultado é uma cópia única. Tudo bem que já foi digitalizada e colocada na revista, mas o original se mantém e, daqui a alguns anos, vai valer uma fortuna.

Até hoje algumas dessas câmeras ainda estão em uso e o 20×24 Studio é um ponto comercial que se utiliza da tecnologia para fazer retratos Fine Art com a câmera. Muitos retratos de divulgação de filmes Hollywoodianos famosos foram feitos por lá e a gente nem sabia.

Ficou interessado no livro? Infelizmente não existe previsão de lançamento no Brasil. Quem quiser ter o gostinho de ter essa bela obra na estante vai ter que comprar na Amazon. O valor do livro está em US$ 50,00. livro Behind Photographs está à venda no site pessoal de Tim Mantoani, em versão física e em ebook. Em baixo podes ver algumas das fotografias que o integram.
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Barbara Bordnick – A Song I Can See
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Carl Fischer – Muhammad Ali
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Charles Moore – Martin Luther King Jr.
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David Doubilet – Circle Of Barracuda
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Douglas Kirkland – Marilyn Monroe
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Elliott Erwitt – Two Dogs With Owner
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Harry Benson – The Beatles
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Herman Leonard – Jazz Musicians
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Jeff Widener – Beijing 1989
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Jim Marshall – San Quentin Prison Sound Check
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Julius Shulman – One Shot Shulman
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Karen Kuehn – Cats Story
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Lyle Owerko – 9/11
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Marry Ellen Mark – Ringmaster With Elephant
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Nick Ut – Napalm Attack In Vietnam
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Steve McCurry – Girl In Afghanistan

Fotolivros: focar, clicar, editar

Fotografia pertencente ao livro ‘Afronautas’, de Cristina de Middel.

Diante da crise, fotógrafos espanhóis apostam na edição independente para divulgar obra.

“Eram muitos, mas, de repente, os fotógrafos espanhóis redobraram sua aposta e produziram alguns dos melhores fotolivros da última década. Com obras frequentemente publicadas de forma independente, sempre cheias de energia e novas ideias, agora estão entre os criadores mais produtivos e inspirados do gênero”, diz Martin Parr, célebre fotógrafo da agência Magnum, autor de mais de 70 fotolivros próprios, apaixonado colecionador de alheios e autoridade absoluta na matéria – sua história do fotolivro, editada pela Phaidon, saiu em três volumes.

Horacio Fernández, historiador da fotografia e curador, situa a explosão do fotolivro espanhol em 2009. “No século XXI um fotógrafo jovem dificilmente poderia fazer seu nome no mercado das galerias, praticamente inexistente no terreno da fotografia”. Os trabalhos para a imprensa já haviam chegado ao fundo do poço. Então, o que podiam fazer para divulgar seu trabalho? “Editar um fotolivro. A primeira razão para o renascimento do fotolivro é econômica e social, a segunda é puramente material: o processo de edição, antes complexo, simplificou-se de tal maneira que existe a possibilidade da edição independente. 

As duas primeiras razões explicam um fenômeno que é internacional, porque o crescimento do fotolivro hoje se dá em todo o mundo, mas não explicariam por que na Espanha são tão bons. Acontece que o talento e o engenho da geração de Ricardo Cases, de Cristina de Middel e de tantos outros é excepcional. Fizeram trabalhos esplêndidos sem subvenções, sem apoios institucionais, sem galeristas, sem curadores que exponham suas obras, chama a atenção de verdade. É um fenômeno de autoedição e de autogestão. Foi feito por eles. Não há um descobridor ou plataforma”. Corrige-se. “Na realidade, é preciso mencionar La Kursala de Cádiz”.


Os fotógrafos espanhóis produziram alguns dos melhores fotolivros da última década”,diz Martin Parr

Em 2007 a Universidade de Cádiz procurou Jesús Micó, fotógrafo veterano, docente e curador, para dirigir uma pequena sala de exposições especializada em fotografia. “Queriam que tirasse da minha agenda pessoal, porque pensavam que era a maneira de um centro da periferia adquirir prestígio”, explica. Ele apresentou uma contraproposta: atender somente fotógrafos emergentes e assim se diferenciar de outras salas institucionais “que não arriscam com autores desconhecidos”. Como seus alunos já começavam a apresentar fotolivros como projetos finais, Micó, professor há mais de 20 anos, fez outro pedido à universidade: que as mostras não fossem acompanhadas de catálogos – traduções literais do exposto na parede – mas de livros. 

“Um formato que, diferentemente do catálogo, adaptava-se formal e esteticamente à ideia do autor. Agora está claro para todo mundo o boom do fotolivro, mas naquela altura significava romper esquemas”. Além disso, os próprios fotógrafos se encarregariam de publicar, de forma autônoma ou em colaboração com editoras independentes. Esta é a fórmula de La Kursala: cada fotógrafo dispõe de 2.000 euros (6.000 reais) para imprimir 500 exemplares – 425 para a Universidade, 75 para eles – e 900 para a produção da exposição. Na longa lista de títulos dos Cuadernos de La Kursala figuram os nomes de fotógrafos fundamentais nesta idade de ouro do fotolivro espanhol: Ricardo Cases, Cristina de Middel, Aleix Plademunt, Simona Rota, Juan Valbuena.

Fotografia incluída no livro ‘Paloma al Aire’ de Ricardo Cases.
Depois de seis anos no jornal Información de Alicante, em 2010, Cristina de Middel disse a si mesma “já chega”. Pediu um ano sabático e foi “investigar histórias verdadeiras em que ninguém acredita e histórias falsas em que todos creem”. Foi assim que encontrou os afronautas (em espanhol): a incrível história do programa espacial lançado pela Zâmbia em 1964, logo após a independência do país africano, para derrotar os Estados Unidos e a URSS na conquista do espaço. 

O professor de ciências Edward Mukuka Nkoloso, defensor do projeto, estava disposto a enviar, primeiro à Lua, depois a Marte, 12 astronautas – entre eles uma mulher que ficou grávida e teve de abandonar a aventura – e 10 gatos. Middel procurou locações, modelos e convenceu sua avó a costurar os trajes dos afronautas para recriar sua visão do programa espacial africano, com claras referências “a Tintim e Barbarella”. A série fotográfica ia ser uma exposição, mas os galeristas voltaram atrás e, finalmente, terminou em La Kursala. “O que eu fiz foi investir mais dinheiro para ficar com 600 exemplares, assim fiz visualizações de porfolios, promovi o livro o máximo que pude e fui para Arles”. Em julho de 2012, nos Rencontres d'Arles, sua vida mudou. 

Um olheiro mostrou Afronautas a Martin Parr, que logo escreveu a Middel para comprar um exemplar: o livro o entusiasmou, começou a falar maravilhas dele e, em três semanas, a tiragem se esgotou e a obra virou objeto de colecionador – o que começou a ser vendido por 35 euros chegou a ser leiloado por 2.200 – . “Cheguei a ter mais e-mails de fotógrafos da Magnum na minha caixa de entrada que ninguém”. Em 2012, Afronautas foi finalista da Paris Photo na categoria de melhor primeiro fotolivro – junto com C.E.N.S.U.R.A., de Julián Barón – e, em 2013, foi indicado para a Deutsche Börse e ganhou o Infinity Award, concedido pelo International Center of Photography de Nova York.


Naquele mesmo ano, Karma, do malaguenho Óscar Monzón, ficou com o prêmio da Paris Photo-Aperture Foundation na categoria de primeiro fotolivro e Parr o incluiu em sua seleção dos 10 melhores do ano, lista em que também figurava The PIGS, de Carlos Spottorno, que ganhou o prêmio pelo fotolivro de 2013 no Festival de Fotografia de Kassel e foi eleito pela revista Time como um dos melhores títulos do ano. Também em 2013, a prestigiada editora britânica Mack publicaria Casa de Campo, de Antonio Xoubanova, que seria seguido por Almost There, de Aleix Plademunt (em co-edição com a Ca l'Isidret), e no ano passado El Porqué de las Naranjas, de Ricardo Cases… 

“Estamos diante deste fenômeno por uma convergência de razões: fotógrafos com talento, Jesús Micó e La Kursala como ponto de partida, pequenos editores, grupos como BlankPaper ou Nophoto, uma nova geração que vai para o exterior, mas, sobretudo, porque os espanhóis entendem bem o fotolivro. Suas obras se destacam porque têm uma qualidade enorme, porque a arquitetura dos livros é diferente da de outros países, é mais singela, mais coerente e honesta. Além disso, são um novo item de venda e isso é chamativo. A novidade sempre vende”, explica Ramón Reverté, editor e diretor criativo da editora RM.

Esta geração se define pela necessidade e pela vontade. Não há a cultura da subvenção”, afirma Gonzalo Golpe

Por necessidade, resume Ricardo Cases, fotógrafo, membro do grupo BlankPaper e promotor do fotolivro espanhol, publicou de forma autônoma seus dois primeiros livros, Belleza de Barrio e La Caza del Lobo Congelado. Buscou o apoio das grandes editoras, “e todas me diziam que o distribuiriam para mim, mas que não podiam investir dinheiro”. Por necessidade – e vontade de ajudar outros fotógrafos – fundou com Natalia Troitiño a editora Fiesta Ediciones. Por necessidade, desta vez, de seguir adiante sem pedir mais favores a amigas desenhistas, ele mesmo fez seu terceiro livro, Paloma al Aire. 

“Para mim, esta geração se define pela necessidade e pela vontade de fazer as coisas. Criam escolas como BlankPaper, editoras como Ca l'Isidret, livrarias digitais como Dalpine e fazem a curadoria de seus próprios companheiros de geração. Não têm essa cultura da subvenção. Não estão pedindo, pedindo, pedindo, porque chegaram até aqui sem ajuda. Eles mesmos estão tapando todos os buracos”, diz o editor independente Gonzalo Golpe. Além disso, ressalta Jesús Micó, são os mais preparados para fazer isso. 

“Têm um talento enorme, acompanhado de formação acadêmica, algo de que a geração anterior carecia. Em fotografia, a formação se implantou na Espanha há pouco mais de uma década e agora começa a dar seus frutos. Além disso, dominam as novas tecnologias, falam idiomas e estão perfeitamente capacitados para autogerir e promover seus projetos porque dominam todos os recursos contemporâneos”.

Para Martin Parr, que sempre defendeu o valor do fotolivro e lamentou seu escasso protagonismo na história da fotografia, há razões para otimismo: enfim, o gênero começa a encontrar seu lugar. “O fenômeno do fotolivro vai durar porque, hoje, tem uma condição que antes não tinha: agora é uma obra de arte em si mesma. 

Na feira Paris Photo a hierarquia de editoras e galerias é a mesma. Já entendem que o livro está no mesmo nível da obra. Além disso, o fotolivro se revelou o suporte ideal para difundir o trabalho de um fotógrafo na era digital. A exposição em galeria é limitada, efêmera, mas o livro chega a todas partes”, diz Reverté.

Exposição com 53 fotografias da alemã Ulrike Ottinger

As imagens da alemã Ulrike Ottinger colocam em questão noções de realidade e ficção na fotografia
Centro Dragão do Mar, Fortaleza, Brasil recebe a exposição Ulrike Ottinger: Retrospectiva resume o trabalho da fotógrafa e cineasta alemã em 53 obras.

Uma das marcas mais importantes da fotógrafa e cineasta alemã Ulrike Ottinger é sua forma de se relacionar com a realidade. O que é real, e o que não é, fica no ar diante da proximidade com objetos, pessoas e situações, ou como os elementos são dispostos em quadro. Isso pode ser conferido na exposição Ulrike Ottinger: 

Retrospectiva, que fica em cartaz de amanhã, 6, até o dia 8 de março de 2015, no Museu da Cultura Cearense do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A abertura acontece hoje, com a presença do fotógrafo Silas de Paula conversando sobre as obras.

A exposição é fruto de uma parceria da Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) com o Dragão do Mar e o Goethe-Institut. A ideia de montar a mostra partiu da própria Ulrike, hoje com 73 anos, que contou com colaborações de Kristina Jaspers, curadora do museu cinematográfico Deutsche Inemathek, de Berlim, e Barbara Honrath, ex-diretora do setor de artes plásticas do Goethe-Institut de Munique. No encerramento, dia 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, será exibido o filme Sob a neve (2011), que trata das vilas japonesas de Echigo. Lá, durante a maior parte do ano, a população precisa conviver com o frio intenso e muita neve, o que influencia profundamente os modos de viver das pessoas.

Em Ulrike Ottinger: Retrospectiva será possível conferir 53 obras da artista alemã divididas em seis temas: Arquitetura mostra como as pessoas se relacionam com as construções e vice-versa; Theatrum Sacrum apresenta uma releitura sobre a arte barroca, os altares, a pintura medieval e o sagrado; Mongólia traz fotos das populações nômades da Ásia captadas durante a filmagem de vários filmes da artista; Cotidiano capta instantâneos de fatos corriqueiros de vários países, como um cabeleireiro ou crianças brincando na rua; Em Frente é uma coleção de retratos de anônimos, como uma alcoólatra ou uma bailarina; e Feira capta a essência dos vendedores de rua do mundo, com seus produtos e modos de trabalho.

Trajetória

Nascida em 1942, na pequena Konstanz, cidade alemã que faz fronteira com a Suíça, Ulrike Ottinger estreou como diretora de cinema no início da década de 1970. Antes, estudou artes plásticas e trabalhou como pintora e fotógrafa em Paris. 

Para a Ute Hermanns, coordenadora cultural da Casa de Cultura Alemã da UFC, a pluralidade de linguagens é o que dá mais peso à obra de Ulrike. “É uma artista multifacetada e uma senhora que gosta muito de viajar. Seus trabalhos têm um enfoque ecológico e etnográfico. Ela sempre discute a aproximação com o outro, com outras culturas, por isso considero interessante trazer essa mostra para cá. É uma linguagem visual bastante inovadora”, comenta.


SERVIÇO
Exposição Ulrike Ottinger – Retrospectiva
Quando: Em cartaz até 8 de março.
Onde: Museu da Cultura Cearense – Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
Entrada franca.
Telefone: 3488 8600

Che Guevara foi fotógrafo no Pan de 1955


Revolucionário argentino participou da cobertura dos Jogos da Cidade do México.

Antes de colocar o seu nome na história da América Latina, Ernesto Guevara de la Serna, conhecido como Che Guevara, participou dos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México de 1955 como fotógrafo.
Guevara worked as a photographer 
in Mexico in the 1950s, 
recording - among other events  
the 1955 Pan-American Games

Formado em Medicina dois anos antes da competição no México, o Che não conseguia emprego na área e viu o hobby da fotografia virar um bico para conseguir um dinheiro extra.

Contratado pela agência Prensa Latina, o revolucionário relatou em uma carta para amiga Tita Infante que sua rotina era pesada.

— Meu trabalho durante os Jogos Pan-Americanos é exaustivo em todo o sentido da palavra, pois tenho de ser o compilador de notícias, redator, fotógrafo e cicerone dos jornalistas enviados que chegam da América do Sul.

Che contou que além de tirar as fotos também era responsável pela revelação.

— Minha média de horas de sono não passou de quatro horas, porque eu também fui responsável por revelar e ampliar as fotos.

Há quem viva com 52 graus negativos

Uma mulher protege-se do frio. A temperatura está nos 52ºC negativos em Yakutsk, 
uma das cidades mais frias do mundo. Amos Chappel / United Photo Press
O frio extremo em Oymyakon, na Rússia, motivou uma viagem do fotógrafo Amos Chappel ao local. Encontrou uma cidade com habitantes "determinados" e documentou tudo numa galeria.

Uma tremenda tempestade de inverno está a assolar várias cidades dos Estados Unidos. Muita neve e muito frio nesta altura. Mas em Oymyakon, na Rússia, o frio extremo é uma realidade 24 horas por dia. A cidade fica a poucas centenas de quilómetros do Círculo Polar Ártico e, em janeiro, a temperatura média ronda os 36º Celsius negativos. Nos dias maus, pode chegar aos 52 graus negativos.

Um fotógrafo neo-zelandês viajou recentemente para Oymyakon e fotografou a realidade da cidade. Amos Chapple conta que a cidade mais próxima da região, Yakutsk, é muito cosmopolita e os residentes são pessoas com algum poder económico. Segundo o fotógrafo, a cidade tem recursos à disposição como petróleo, gás e diamantes.

“Há aquela ideia de que, para seres um fotógrafo reconhecido, tens de ir à procura do sofrimento pelo mundo fora. Eu só queria fotografar histórias que não eram negativas nem perversas”, conta Amos Chapple. “Eu queria uma fotografia que contasse toda uma história, e pensei que o sítio mais frio da terra podia ser um bom exemplo para isso”.

Em Oymyakon, os cidadãos são obrigados a ter cuidados extremos. Os funcionários das estações regionais de fornecimento de gás, por exemplo, trabalham duas semanas e têm de parar outras duas. As estações de gás são “essenciais” para garantir que a economia não para, apesar das condições adversas. 

Nasa divulga a maior foto já feita, com 1,5 bilhão de pixels


A Nasa divulgou a maior foto já apresentada aos olhos humanos. Trata-se de uma imagem da galáxia de Andrômeda (M31), nossa vizinha mais próxima — a 2,5 milhões de anos-luz da Terra — e foi feita pelo telescópio Hubble, da Nasa e da Agência Espacial Europeia. (Na verdade, foi criada a partir da sobreposição de 411 fotos feitas pelo telescópio.)

A foto tem 1,5 bilhão de pixels — ocuparia 4,3 gigabytes de um hard drive e seriam necessárias 600 TVs de alta resolução para exibi-la. Nela, estão contidas 100 milhões de estrelas localizadas a mais de 40 mil anos-luz. De acordo com estimativas dos astrônomos, a M31 contém mais de 1 trilhão de estrelas (o dobro da Via Láctea).

A fotografia foi feita 128 anos depois dos primeiros retratos da galáxia. Em 1887, de seu observatório em Sussex, na Inglaterra, o astrônomo amador Isaac Roberts "clicou" a M31 pela primeira vez.

Nos anos seguintes, repetiu o feito. Esta imagem é de 1899:

andrômeda

Para melhor apreciação da imagem criada pelo Hubble, veja o vídeo:

Maior coleção de fotografias de Robert Frank está à distância de um clique

"Os Americanos" marcou a história da fotografia da segunda metade do século XX
A obra mais completa do autor do livro de fotografia que muitos consideram o mais importante depois da Segunda Guerra Mundial está disponível no site da National Gallery of Art. Inéditos incluídos.

A Galeria Nacional de Arte de Washington colocou na sua página de Internet uma coleção com cerca de oito mil obras criadas pelo fotógrafo e documentarista Robert Frank. Produzidas entre 1937 e 2005, entre elas encontra-se a famosa coleção de fotografia “Os Americanos”, que marcou a forma de fotografar da segunda metade do século XX.

Fotografias recentes e vintage, negativos, folhas de contacto, três livros encadernados com fotografias originais, material técnico, vários papéis, livros e gravações. Na impossibilidade de mostrar in loco o enorme espólio de Robert Frank, atualmente com 90 anos de idade, a Galeria Nacional de Arte de Washington colocou tudo o que possui na Internet, à disposição de todos os que queiram ver.


A lista é longa, mas organizada. 

Aqui é possível conhecer todos os dados em relação às fotografias, por ordem cronológica e com todos os dados importantes à consulta. Depois, basta pesquisar os itens por título, palavras-chave, proveniência, ou o número de acesso, no motor de busca da Galeria.

Nascido na Suíça, foi a fotografar a América que Robert Frank produziu um dos trabalhos mais marcantes da (longa) carreira. As 83 fotografias foram lançadas num livro chamado “Os Americanos”, em 1958, e retratavam de forma diferente o quotidiano de dezenas de desconhecidos e a vida tal como ela era nos anos 50 nos Estados Unidos. Em 2009, a propósito dos 50 anos do lançamento do livro, a Galeria Nacional de Arte de Washington dedicou-lhe uma exposição. A curadora, Sarah Greenough, descreveu “Os Americanos” como “O livro de fotografia mais importante depois da segunda Grande Guerra”.

Fotografias de Setúbal em Portugal do século XIX são bem de interesse nacional

Antero de Seabra
A qualidade e raridade das fotografias do século XIX que constituem o `Álbum Setubalense´ foram razões que levaram à classificação pelo Governo daquele património como "bem de interesse nacional", disse hoje Carla Barros, do Centro Português de Fotografia.

Comentando a classificação, esta semana publicada em Diário da República, Carla Barros disse à agência Lusa que "o `Álbum Setubalense´, de Anthero Frederico Ferreira de Seabra (1821-1883), foi classificado pela raridade e qualidade das fotografias, mas também pela importância do autor na história da fotografia em Portugal".

Constituído por um conjunto de doze fotografias de Setúbal no século XIX, o `Álbum Setubalense´ mostra com era a cidade naquela época, através de vistas panorâmicas e de imagens das igrejas de Santa Maria e São Julião, ruínas do Convento de São Francisco, Praça de Palhais, antigo Liceu Municipal e Paços do Concelho.

Segundo Carla Barros, técnica superior do Centro Português de Fotografia, a utilização do processo fotográfico `albumina´ também foi um fator importante para a classificação das fotografias de Anthero Frederico Ferreira de Seabra como bem de interesse nacional.

"Trata-se de um processo fotográfico por exposição solar, que se caracteriza pela utilização de albumina (clara do ovo) e de nitrato de prata para tornar o papel mais sensível ao registo de imagens, através do contacto entre o negativo e o papel", explicou.

Estas provas fotográficas do `Álbum Setubalense´ foram, "seguramente, das primeiras fotografias efetuadas em Portugal, com o intuito de registar a topografia das cidades, como refere António Sena, autor da História da Imagem Fotográfica em Portugal 1839/1997", acrescentou.

O `Álbum Setubalense´, propriedade de um particular, permitiu complementar a documentação fotográfica sobre Anthero de Seabra, que já se sabia ter fotografado outras cidades, como Viana do Castelo, Guimarães, Braga, Porto, Coimbra e Lisboa.

Antero Frederico Ferreira de Seabra, 

Mais conhecido por Antero de Seabra, foi um destacado naturalista, publicista e académico, sendo considerado o mais célebre entomologista português da sua época. Em sua homenagem, ainda quando vivia, foram atribuídos nomes científicos, em âmbito internacional, a dois géneros de insetos hemípteros, "Seabrina" e "Seabranano (Seabranannus)".

Nascido em Lisboa a 20 de agosto de 1854, era filho de Antero Frederico Ferreira de Seabra da Mota e Silva (1821-1883), militar de carreira, e de sua segunda mulher, Rita Augusta da Silva (1836-1918). Era o mais novo dos seis filhos deste casal. 

Na medida em que o seu pai foi também um dos fotógrafos pioneiros de Portugal, pressupõe-se que tenha influenciado o filho para que se dedicasse, de forma amadora, a esta atividade. O seu interesse pela fotografia está aliás patente na variedade e na qualidade daquilo que produziu e acumulou para formar o seu acervo.

Foi completar o curso de Ciências Naturais em França, onde também frequentou o Museu de Paris, a Sorbonne e a Escola Prática de Altos Estudos. De regresso a Portugal, dedicou-se ao estudo das faunas metropolitana e ultramarina no então Museu Nacional de Lisboa, sob a orientação de Barbosa du Bocage, chegando a Conservador da Secção Zoológica do citado Museu (Secção esta que passou a ser designada, a partir de 1905, por Museu Bocage). 

No decorrer da sua vida profissional, a par da produção de uma considerável obra bibliográfica, ocupou postos relevantes, como o de assistente na Faculdade de Ciências de Lisboa; o de diretor do Aquário Vasco da Gama, no Dafundo (Oeiras); o de chefe da Secção Entomológica do Laboratório de Biologia Florestal; o de naturalista do Museu Zoológico e o de professor de Ciências Naturais, ambos na Universidade de Coimbra, onde se manteve até à reforma, recebendo inclusive o título de doutor “honoris causa” pela mesma Universidade.

iPhoto Fair — a primeira feira de fotografia online do mundo


Demorou para acontecer, mas aconteceu. Depois que o mercado de ensino de fotografia foi invadido pelos cursos online e pelos Congressos de Fotografia online, nada melhor do que esperar por uma feira de fotografia dentro dos mesmos moldes. E isso não é uma novidade vinda de fora. Segundo a iPhoto Editora (empresa que está capitaneando a novidade), o iPhoto Fair vai ser a primeira feira de fotografia totalmente online do mundo. Para quem nunca foi em uma feira a coisa é bem simples. São vários estandes com expositores que colocam seus produtos para serem apreciados. Você geralmente ganha uma sacola onde vai colocando todos os folders e brindes que são fornecidos nos estantes (geralmente oferecidos por mulheres lindas e que não entendem nada do assunto). O legal da coisa é poder conversar com os representantes das marcas e elucidar dúvidas ou fazer reclamações.

Mas, como isso funciona online? Você vai se cadastrar no site do evento e criar o seu avatar (que pode ser totalmente personalizado) e adicionar informações profissionais e de contato. A interface gráfica do aplicativo permite ver as pessoas andando no ambiente e ao passar o mouse pelos avatares você pode ver as informações de contato e, se quiser, iniciar uma conversa com essa pessoa. É possível fazer pesquisas sobre produtos e empresas e ser transportado automaticamente para o estande escolhido. Segundo o anúncio da empresa, os estandes são realistas e com espaços para projeção de vídeos, Você também pode colocar material publicitário da empresa em sua sacola virtual (na forma de arquivos pdf, fotos, imagens em 3D). Da mesma forma você pode visualizar os produtos que estão a venda e ter completas informações sobre eles. Se quiser conversar com um atendente, tudo pode ser feito via Skype. Fora isso, haverá um auditório com conteúdo exclusivo e palestras com grandes nomes da fotografia nacional. Ou seja, uma feira de fotografia completa.

Existem bons cursos, e também os horríveis que existem apenas para ficar com o seu dinheiro e oferecer produtos de qualidade questionável. Ou seja, depende de quem está organizando e a seriedade. A iPhoto é a mesma empresa que montou um congresso voltado para a fotografia de nu e sensual e um para fotógrafos de formatura. Ambos pareciam bombas, mas foram um sucesso. Então não custa nada olhar essa iniciativa com bons olhos. Um congresso ou uma feira são eventos que, tradicionalmente, ocupam grandes espaços e são realizados quase que majoritariamente nas grandes capitais. Com a participação online existe a possibilidade de todos visitarem o ambiente virtual da feira na comodidade de seus lares. Basta uma conexão com a internet.

O iPhoto Fair vai se realizar nos dias 7, 8 e 9 de abril de 2015. A participação é gratuita e você pode preencher um cadastro de visitante ou utilizar sua conta do Facebook, Linkedin ou Google+ para agilizar o cadastro. Quer saber mais informações? Então você pode acessar o site oficial do evento ou dar uma olhada no vídeo abaixo.

Sebastião Salgado regressa a Portugal com Génesis

A exposição daquele que é um dos mais importantes fotógrafos vivos ensaia uma aproximação às origens do planeta. Fotógrafo brasileiro levou oito anos a concretizar projecto, do qual também faz parte um livro e um documentário.

O último grande trabalho fotográfico de Sebastião Salgado, o projecto Génesis, vai ser mostrado na Cordoaria Nacional, em Lisboa, a partir do dia 8 de Abril. A exposição, com curadoria de Lélia Wanick Salgado, incluirá 245 imagens de grande formato captadas entre 2004 e 2011 nos lugares mais recônditos e desconhecidos da Terra. Desde que foi inaugurada em Abril de 2013, no The Natural History Museum, em Londres, Génesis já foi vista por quase dois milhões de pessoas (só em São Paulo, no Brasil, chegou aos 410 mil visitantes).

A concretização deste projecto (que terminou no final de 2011 no Pantanal, no Brasil) inscreve no extenso currículo de Sebastião Salgado (Aimorés, 1944) mais um ensaio com características épicas, depois do reconhecimento global obtido com Trabalhadores (1993), que documentou em todo mundo os sinais do desaparecimento de um modo de vida baseado na manufactura, eMigrações (2000), registo das deslocações em massa de pessoas, forçadas pela fome, desastres naturais, condições ambientais degradadas ou pressão demográfica. Por seu lado, Génesis (da raiz grega “nascimento”, “origem”, o primeiro livro da Escritura, aquele em que se narra a criação do mundo) procura os “lugares prístinos [anteriores, velhos] da Terra”, na tentativa de demonstrar que ainda existe “um planeta puro, grande e majestoso”.

Na promoção deste trabalho, o fotógrafo brasileiro não se tem cansado de dizer que o resultado destes oito anos de viagens por mais de três dezenas de destinos pode ser comparado a uma longa “carta de amor ao planeta”. Para além da descoberta de lugares que permanecem intocados ou que são pouco conhecidos, a jornada levada a cabo com Génesis significou também uma reconciliação de Salgado para com a arte que decidiu abraçar quando já tinha ultrapassado a casa dos 30 anos. Isto porque, depois de Migrações, Sebastião Salgado ponderou abandonar a fotografia, chocado com as condições de vida de muitos povos e com o número de mortes que viu à sua frente, especialmente no Ruanda. A ideia de captar a Natureza e a relação do Homem com ela no seu estado mais puro motivou-o de novo e deu-lhe a energia para levar a cabo a epopeia de Génesis, que mostra animais em liberdade, vulcões, icebergs, selvas, desertos e comunidades quase desconhecidas desde o Amazonas à Nova Guiné.

Para além desta exposição, o projecto Génesis já deu origem a um livro (com a chancela da Taschen) e a um documentário, “O Sal da Terra”, realizado por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado (filho de Sebastião), que estrou mundialmente no último Festival de Cannes, onde recebeu uma Menção Especial do Júri da secção Un Certain Regard. Em Portugal, o filme será estreado pela Midas no dia 9 de Abril.

A exposição Génesis em Lisboa (co-produzida pela Câmara Municipal de Lisboa, a EGEAC e a Terra Esplêndida) significa o fim de uma ausência de 15 anos de exposições do fotógrafo em Portugal, depois da inauguração de Migrações em 2000.

Kodak vai introduzir smartphone de marca própria para os amantes da fotografia

A introdução do primeiro dispositivo móvel da empresa vai decorrer já em Janeiro

A Kodak não vai ficar de fora dos smartphones. A empresa, uma gigante dentro do segmento da fotografia, vai introduzir o seu primeiro telemóvel de marca própria já em Janeiro, durante a Consumer Electronics Show.

A feira tecnológica anual, que decorre em Las Vegas, EUA, dos dias 6 a 9 de Janeiro, servirá de palco para a Kodak apresentar os seus planos em relação ao mercado mobile. A produção do aparelho, contudo, não deverá ficar a cargo da empresa.

Essa tarefa terá sido remetida para uma parceira da Kodak especializada na produção de telemóveis, a britânica Bullitt, responsável pela produção dos Caterpillar Phones. O smartphone será direccionado para as gamas mais altas do mercado e virá com funcionalidades pensadas especificamente para amantes da fotografia digital.

"A Kodak é uma das marcas mais reconhecíveis do mundo. É vista pelos consumidores como uma marca de qualidade e inovação", diz Olivier Schulte, CEO da Bullitt Mobile. "Pegámos nessa herança e usámo-la para inspirar uma gama de dispositivos com um design fantástico e que deixará os utilizadores tirarem óptimas fotografias”.

O aparelho deverá correr Android, ainda que seja de esperar uma interface personalizada para o ambiente Kodak. A julgar pelas declarações de Schulte, funcionalidades relacionadas com a partilha, edição e impressão de fotografias também deverão integrar esta proposta.

Esta também não deverá ser a única aposta da Kodak para este mercado. De acordo com a Bullitt há novos anúncios agendados para a segunda metade de 2015, incluindo um "telemóvel 4G, um tablet e uma câmara conectada".

15 finalistas do "Art of Building Photographer of the Year Award"

Bird’s Nest Puzzle Close-Up. Imagem © Mario Bejagan Cardenas
Quinze imagens, que vão desde um detalhe do Estádio Nacional de Pequim, de Herzog & de Meuron, a um retrato de um cemitério transformado em casa nas Filipinas, foram selecionadas como finalistas do concurso Art of Building Photographer of the Year. O público decidirá agora quem leva para casa o prêmio de £3,000.

“Há uma infinidade de estilos e estórias na final desse ano", disse Saul Townsend, porta-voz do Chartered Institute of Building’s (CIOB), entidade que promove o concurso. "Em um mundo repleto de tecnologia de cores de alta definição, a fotografia em preto e branco ainda inspira um grande número de fotógrafos."

Os quinze finalistas foram selecionados pelo corpo de jurados que inclui a editora e crítica de fotografia, Sue Steward, o premiado fotógrafo Matt Wain, e a editora da revista Construction Manager, Elaine Knutt.

De uma olhada nas 15 finalistas mostradas a seguir e não esqueça de votar em sua favorita antes do dia 11 de janeiro na página do concurso. A fotografia vencedora será anunciada no dia 05 de fevereiro.