2016

Carlos Alves de Sousa / Presidente da United Photo Press
Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o ano novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o novo ano. Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia. Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que quase sempre esquecemos o que ?

Listamos alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que atesta da pouca disposição em perseguir os itens elencados. Ano novo deve ter um significado especial. Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional. Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fez a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares. Sair mais com as crianças.

Não somente para passeios como a praia, a viagem de férias. Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete. Outros para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete. Outros mais longos para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar. Uma tarde para uma conversa com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver ano novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir. Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um olá, desejar boa viagem, feliz aniversário! Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso. Também pode pensar em mudar o visual.

Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista. E é claro, um bom check-up, porque cuidar da saúde é essencial. Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma. Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista. Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola. Ou coisas mais complicadas, como dispor-se a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois. Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o novo ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Carlos Alves de Sousa
Presidente da United Photo Press

World Press Photo — mais polêmicas de 2015


Tudo bem que o grande mestre, afirma que “fotografia é aquilo que vemos. Porém, aquilo que vemos depende de quem somos”, mas como fica o fotojornalismo nessa brincadeira? Que a fotografia é carregada de ideologia não é segredo para ninguém, mas até onde essa ideologia pode ser aceita no registro do cotidiano? 

Pode parecer uma pergunta boba, mas é uma questão profunda para uma atividade que visa comunicar a verdade. Ano passado o World Press Photo, um dos prêmios mais importantes do fotojornalismo mundial, entrou em uma grande polêmica. 

A foto vencedora foi duramente criticada e acusada de ser fruto de manipulação digital. Depois de vários textos irados na internet e de a imagem ser analisada levando em conta o arquivo RAW, a comissão organizadora decidiu que a imagem era real, mesmo tendo passado por uma pesada carga de edição.

Edição, meus amigos, não é crime. Na realidade ela é feita desde o início da fotografia e, fiquem pasmos, a maior parte das ferramentas clássicas do Photoshop foram inspiradas em ferramentas existentes no laboratório fotográfico tradicional. 

Mesmo assim, visando ficar livre de polêmicas, a organização do World Press Photo decidiu endurecer (ui) as normas para garantir que outras polêmicas não surgissem na premiação de 2014. Essa nova visão da banca julgadora fez com que 20% das fotos finalistas fossem eliminadas na fase final por conta de mudanças drásticas via software que foram consideradas não éticas pela comissão julgadora. Isso não é pouca coisa. Mesmo assim, depois da divulgação dos vencedores, uma polêmica com teor diferente se abateu sobre o prêmio.

O fotógrafo italiano Giovanni Troilo foi vencedor da categoria Questões Contemporâneas com um ensaio intitulado The Dark Heart of Europe. As fotos são uma coletânea de imagens feitas na cidade de Charleroi na Bélgica. O local vem enfrentando problemas por conta da crise econômica e crescente desemprego. 

Desta forma, Troilo produziu um ensaio fotográfico tendo como ponto de partida estes problemas, mas estilizando as imagens, construindo sentimentos bem pesados em suas composições. Até ai tudo bem, mas a cidade não ficou nada feliz com a representação feita pelo fotógrafo.

O prefeito do local, Paul Magnette, está acusando o fotógrafo de encenar as fotos, falsificar a realidade e, por conta disso, seria desqualificado para receber um prêmio de fotojornalismo. Segundo Magnette “esconder algumas perspectivas com informações não verificadas e de falsear a realidade e torcer pela encenação, é tudo menos fotojornalismo”. 

Olhando as fotos do ensaio realmente notamos que várias das imagens foram encenadas para passar os sentimentos que o fotógrafo se propôs a captar. Um recorte muito particular na realidade. Uma forma de mostrar uma situação que seria impossível de registrar em uma fotografia mais tradicional. Dessa forma, o fotógrafo se utilizou muito mais de composições aditivas do que subtrativas.

Mesmo com todo o protesto da cidade de Charleroi a organização do World Press Photo não se sensibilizou e não viu nenhum motivo para desqualificar o ensaio como sendo uma produção fotojornalística. Porém, Troilo acabou sendo desclassificado e perdendo o prêmio por um detalhe técnico. Analisando as fotos premiadas, descobriu-se que uma das imagens, na ralidade, não foi feita na cidade de Charleroi. A foto foi feita em uma cidade vizinha, mas se encaixou perfeitamente na unidade temática do ensaio. O fotógrafo assumiu que a foto não era do local e no começo da semana a comissão julgadora anulou sua premiação por não cumprir todas as regras da disputa. Agora o fotógrafo italiano Giulio Di Sturco é o novo vencedor da categoria com o ensaio Chollywood.

Em minha opinião é valido estilizar uma foto para contar uma história. Passar um sentimento. Uma visão autoral da realidade e de suas características. Mas, poderíamos caracterizar isso como fotojornalismo? Aliás, o que seria o tal do fotojornalismo? Roger Cozien diz que a fotografia é a associação de uma imagem com uma legenda. E seria o encontro destes dois elementos o que determina se uma foto é falsa ou não. E vocês? O que acham?

Algumas fotos do ensaio The Dark Heart of Europe:

The Dark Heart of Europe1
The Dark Heart of Europe2
The Dark Heart of Europe3
The Dark Heart of Europe4
The Dark Heart of Europe5

A Islândia em todo o seu esplendor


Encontrou muita chuva, milhares de mosquitos e muito frio. Mas ainda assim não resistiu aos encantos da Islândia. Conheça as fotos de Jakob Polomski das maravilhas do gelo.

Da Islândia já conhecíamos os glaciares e os vulcões ativos, o gosto por peixe fresco, a cultura viking e até a voz de Bjork. Agora, o fotógrafo polaco Jakub Polomski viajou até ao país dos e contou ao Boredpanda como foi a experiência.

“Apaixonei-me pela Islândia, mas é uma relação complicada”, começa por dizer o artista de 30 anos. As paisagens são, a seu ver, incontornáveis e o local ideal para quem gosta de fotografia. Mas há aspetos que tornam aquele que foi considerado o país mais pacífico do mundo (um título que lhe foi atribuído em 2014) num desafio.


Um dos aspetos apontados por Polomski é o clima: “Se calhar foi só a minha sorte, mas a maior parte do tempo que estive lá está ventoso, chuvoso e até frio para um mês de julho”, descreve o polaco. É por isso que Polomski aconselha a quem se aventurar por terras islandesas que alugue um carro com tração às quatro rodas, que o pode proteger mais de uma noite chuvosa do que uma tenda. Quanto há fotografia, este artista admite que existem alguns obstáculos: “Há lugares e períodos com milhares de mosquitos a voar por cima de ti e da câmara”, conta ele. Outro incómodo: o cheiro sulfuroso do ar, devido aos vulcões.

Ainda assim vale a pena: “Num sítio tão pequeno pode ver-se o oceano, a costa, fiordes, montanhas, glaciares, cascatas, rios, lagos, vulcões, águas termais e campos de lava. É como um campo de treino para um fotógrafo de paisagens”.

Para encontrar mais imagens deste artista procure-o no Facebook ou explore o site de Jakub Polomski.

Os livros de Pacheco Pereira fotografados com uma lata de biscoitos

Para fazer esta foto, António Campos Leal precisou de entre 20 a 30 minutos de exposição. Veja outras imagens nesta fotogaleria / ©António Campos Leal

António Campos Leal retratou a Biblioteca da Marmeleira em fotografia estenopeica. Saiba como funciona esta técnica artesanal e veja como pode fazer uma câmara em casa.

Colocar uma lata de biscoitos ou uma caixa de sapatos em frente a uma paisagem e esperar que saia dali uma fotografia. O que parece um golpe de magia chama-se fotografia estenopeica e há anos que António Campos Leal as tira com mestria. Trinta das imagens que captou no Arquivo/Biblioteca da Marmeleira, de José Pacheco Pereira, são publicadas em Luz nos Livros, que a Tinta-da-China edita a 27 de novembro.

Depois de uma carreira feita no fotojornalismo, António Campos Leal, 63 anos, cansou-se de retratar pessoas. De há uns tempos para cá, são os alfarrabistas e as livrarias que mais lhe atraem a atenção. “Fotografo muito ambientes interiores em que o livro tem importância. Ao fim e ao cabo, o interior também é um retrato das pessoas” explica ao Observador. 


Luz nos Livros é então, em simultâneo, o retrato do Arquivo/Biblioteca da Marmeleira — o maior arquivo privado do país — e do homem que o constrói desde a adolescência, o historiador e comentador político José Pacheco Pereira. Mas é um retrato em formato pinhole, ou estenopeico em português. É que se retratar pessoas já não interessa muito ao fotógrafo nascido no Peso da Régua, o hiper-realismo, a “representação perfeita de tudo”, também não, preferindo a técnica do pontilhismo.

“Luz nos Livros” é editado pela Tinta da China e custa 14,90 euros

Há pelo menos sete anos que António Campos Leal fotografa a biblioteca. Começou com a sua primeira câmara digital, e a leitura que fez do espaço foi no sentido do “rato de biblioteca” que é cliente habitual destes espaços. “O meu crescimento intelectual foi feito à custa de bibliotecas”, conta. Mais tarde, começou a prestar atenção à relação que a luz provocava durante o dia no percurso do arquivo. “Uma situação que para mim é muito importante no discurso fotográfico, que é a representação do tempo”, recorda. “O tempo é uma das razões estéticas da representação, pelo que comecei a usar o trajeto que a luz desenhava.” E a fotografia estenopeica revelou-se a melhor opção para fazer isso.

José Pacheco Pereira começou então a reparar em estranhas caixas de bolachas espalhadas pelo espaço. Ao perceber que não eram apenas resultado do desleixe de um qualquer guloso, mas sim peculiares máquinas fotográficas, “ficou entusiasmado, achou interessante”, conta António Campos Leal. Não só o estimulou a continuar como lhe disse que o terceiro volume que iria publicar pela recém-criada coleção Ephemera, na Tinta da China, seria sobre as suas fotografias.

António Campos Leal tem pena que a maior parte dos profissionais não dê importância à fotografia estenopeica, talvez por ser um processo ser fácil, arrisca. Mas se qualquer pessoa pode construir uma máquina em casa, a precisão do furo e a sua adequação aos diferentes objetivos do fotógrafo têm que se lhe diga. “Cada vez uso menos as câmaras feitas por fabricantes porque a precisão do furo é extremamente importante”.


O fotógrafo lembra-se bem do momento em que descobriu esta técnica. “Tinha a porta do meu quarto fechada e a luz que passava pelo buraco da fechadura formava no meu armário de livros, que era branco, a imagem da janela e do edifício em frente. Notava-se perfeitamente o azul do céu”.Com formação em química e os muitos livros de fotografia comprados com os primeiros ordenados que ganhou, juntou os dois conhecimentos. Depois de alguns testes caseiros, fez a sua primeira foto estenopeica: o farol da Foz do Douro, no Porto, onde vivia na altura.

Grande divulgador desta arte em Portugal, e dinamizador do “Worldwide Pinhole Photography Day”, que se assinala a 26 de abril, António Campos Leal começa este sábado, no espaço cultural Com Calma, em Benfica, Lisboa, uma oficina dedicada à fotografia estenopeica.

Um mito na intimidade...

Robert Frank
Começou com uma chamada telefónica e dura há mais de duas décadas. A amizade entre Albano Silva Pereira e Robert Frank, o mítico fotógrafo americano nascido na Suíça, é o tema da exposição “Life Goes On”, na galeria Appleton Square, que reúne documentos, objectos, fotografias e um filme de tributo ao mestre.

Robert Frank – a quem o “New York Times” chamou “o mais influente fotógrafo vivo” – faz hoje 91 anos. Filho de um grande comerciante apaixonado pela fotografia, nasceu a 9 de Novembro de 1924 em Zurique e aos 22 anos trocou a Suíça pelos Estados Unidos. Depois de uma passagem pela revista “Harper’s Bazaar” (a fotografar sapatos e outros acessórios de moda), viajou pela América e a Europa. Em 1958 lançou em Paris o livro seminal “Les Américains”, cuja versão norte-americana teria prefácio do escritor Jack Kerouac, o porta-voz da geração beat, com quem Frank privou.
“O Robert Frank é o personagem mais extraordinário que conheci”, declara o fotógrafo Albano da Silva Pereira, director do Centro de Artes Visuais (CAV), em Coimbra. A amizade remonta há quase três décadas, quando Albano promovia os Encontros de Fotografia. “Eu tinha visto dois filmes do Robert Frank e queria mostrar a obra dele, tal como mostrei a de outros mestres da fotografia contemporânea. Só que na altura ninguém sabia por onde é que o Frank andava. Muita gente achava que tinha morrido.”

Foi outro fotógrafo, o norte-americano Duane Michals, que fez a ponte. “Albano, estás absolutmente certo. Ele é o melhor. Vou-te arranjar o telefone dele”, prometeu Michals. E assim foi. “Durante um ano andei a falar com o Frank pelo telefone”, continua o director do CAV. “E um dia ele escreve-me uma carta em que diz isto: ‘Não sei porque é que vou fazer esta exposição, mas tu soas-me bem. Vou--te mandar quarenta e tal fotografias pelo correio’. Passados uns 15, 20 dias, o correio entrega-me uma caixa 50x60 da Kodak com 45 [provas] vintage dele. Sem seguro nem nada. Ninguém fazia isso, muito menos sendo já representado por uma das maiores galerias de fotografia, a Pace McGill.” Hoje, cada uma dessas imagens chega a atingir muitas centenas de milhares de dólares em leilão.

Uma selecção da troca de correspondência entre Albano e Frank, objectos pessoais, documentos, fotografias (pois claro), colagens e pequenas obras de Jane Leaf (companheira do fotógrafo suíço--americano, “uma mulher lindíssima e uma grande artista”, nas palavras de Albano) estiveram ao longo de quatro dias (até hoje) na galeria Appleton Square, em Alvalade (Lisboa). A “filtragem” deste material, assim como a sua organização, coube a Ana Anacleto, que conhece Albano dos tempos em que era uma jovem estudante de Belas-Artes e “rumava a Coimbra para ver os Encontros de Fotografia”. “Escolhi os objectos que transportam uma certa ideia de memória à flor da pele”, revela a curadora.

No entanto, esse núcleo de objectos constitui apenas uma parte da exposição “Life Goes On”, que propõe um diálogo entre o arquivo e as fotografias de Albano – e, através dele, uma reflexão sobre a relação entre a matéria, a imagem e a memória. “O Albano disse-me que queria criar dois espaços frente a frente em que de um lado houvesse a claridade – o céu, a luz e o mar –, representada por um passeio na praia, e do outro a penumbra do interior”, diz Ana Anacleto.

As fotos na praia foram feitas em Mabou, na Nova Escócia (Canadá), onde Frank adquiriu uma pequena casa de madeira junto ao mar, em 1979. “Esse passeio foi um dos momentos mais mágicos da minha vida”, confidencia Albano, que visitou por várias ocasiões o amigo no seu refúgio canadiano. “Quando fui a Mabou pela primeira vez, em 1990, levei uma garrafa de champanhe francês, e eles [Frank e Jane Leaf] fizeram uma festa. São pessoas extremamente austeras, vivem de uma forma extremamente espartana, mas são de um calor afectivo invulgar. E os diálogos entre eles são de uma criatividade nunca vista.”

Na parede oposta ao passeio à beira--mar, as fotos do interior da casa de madeira mostram um momento de rara intimidade. “A geração beat não tinha qualquer tipo de moralismo em relação àquilo a que chamamos transgressão”, explica Albano. “Isto é o Frank a enrolar uma joint enquanto ouvíamos uma música do Bob Dylan de que ele gosta muito, o ‘Love Sick’. É uma sequência muito íntima de relacionamento pessoal.”

“Uma lágrima de contentamento” “Love Sick”, de Bob Dylan, aparece também na banda sonora do filme de 32 minutos que Albano fez para homenagear Frank e que constitui o terceiro vértice da exposição na Appleton. “Inicialmente estava só previsto projectarmos o filme”, confessa a galerista Vera Appleton. “Depois é que apareceu o resto.”
“Quando Frank estava perto de fazer 90 anos, decidi oferecer-lhe um presente. De gratidão e homenagem”, recorda Albano. “E então comecei a montar um filme pegando nos registos que tenho desde 1990, em filmagem, som e fotografias, e fiz um objecto que é uma lágrima de contentamento.”

Albano também já ficou hospedado no apartamento do amigo em Nova Iorque e registou o ambiente peculiar que encontrou – as mobílias, as obras de arte, as paredes, uma escada, a divisão onde Frank trabalha e também os objectos vulgares da vida quotidiana. “Isto não tem efeitos, não quis plastificar nada”, diz o fotógrafo.

As imagens do filme são acompanhadas por uma banda sonora que inclui excertos de uma entrevista
Robert Frank (early ears)
que Frank concedeu a Maria João Seixas, em Lisboa, a 12 de Setembro de 2001, um dia depois dos ataques ao World Trade Center, onde fala sobre o seu percurso, a América, a fotografia e o facto de ser judeu.

“Ele é um judeu suíço imigrado nos Estados Unidos, e isso define-o muito”, continua o amigo. “Em primeiro lugar, na forma como preserva a memória de uma forma brutal. Depois há um peso muito importante no comportamento dele, que é a morte dos dois filhos. O filho, o Pablo, morre em 95 ou 96, e a filha morre sete ou oito anos antes num desastre de avião. Isso também me comove.”

Um recluso na estrada Apesar de ser considerado uma figura mítica no panorama da arte contemporânea mundial, Frank “recusa todo o lado do espectáculo, do exibicionismo e do jet set. Para ele, o dinheiro não é um objectivo. Vive muito retirado e gosta de coisas muito simples, como cortar lenha”, conta Albano. No filme, Frank afirma: “Quando se é pobre, concentramo-nos no essencial”, uma frase que define bem o seu trabalho.

Frank e Albano têm em comum o facto de navegarem entre a fotografia e o filme – a imagem parada e a imagem em movimento. Albano trabalhou como assistente de Manoel de Oliveira e António--Pedro Vasconcelos, fixando-se depois na fotografia. Frank fez o percurso inverso: formou-se em Fotografia, ainda na Suíça, durante algum tempo foi “uma ratazana” (como chama aos fotógrafos na entrevista a Seixas) e acabou a dedicar--se ao filme. Nesse campo, a sua obra mais conhecida é “Cocksucker Blues”, um documentário sobre os Rolling Stones. Frank teve acesso ilimitado aos bastidores e às festas da banda e filmou com crueza o vocalista a consumir cocaína nos bastidores ou uma fã da banda a injectar-se. “O Mick Jagger disse que era o filme mais extraordinário que alguém lhe fez mas que, se fosse visto, eles não podiam voltar à América, portanto proibiu-o. Foi uma bronca”, explica Albano.

“The Americans”, a súmula de viagens cruzadas pelo continente norte-americano, será sempre, no entanto, considerada a obra-prima de Frank. Em 2010, o mais importante museu de Nova Iorque, o Metropolitan (“o Partenon”, nas palavras de Albano), dedicou-lhe uma exposição comemorativa.

Um dos aspectos fulcrais da obra de Frank é a sua ligação à geração beat – de William Borroughs, Allen Ginsberg ou Gregory Corso – e, em particular, ao seu porta-voz, Jack Kerouac, o autor do clássico “Pela Estrada Fora”. É natural, portanto, que “o espaço mítico da estrada” – palavras de Albano – assuma também uma forte presença na exposição “Life Goes On”. No núcleo do material de arquivo vemos uma foto rara de Kerouac a dormir – de quando o escritor e o fotógrafo viajaram juntos pela América. E nas paredes há imagens de Frank – que hoje, aos 91 anos, se depara com grandes dificuldades de locomoção – ao volante do seu carro. “Ao fim de dois ou três dias em Manhattan, preciso de ir ver o oceano”, conta o director do CAV. “Sempre que ia a Nova Iorque visitar o Frank, dizia--lhe: ‘Apetece-me comer um peixe ou uma lagosta’, e ele levava-me a Long Island. Um dia, a June disse-me que este era um passeio que o filho dele, o Pablo, também adorava.”

Albano confessa que nunca imaginara transformar a sua amizade com Robert Frank numa exposição. “Em primeiro lugar, por pudor. Isto é o meu coração. Em segundo, porque eu quase nunca o fotografava, nem à Jane Leaf. Ele não gosta de ser fotografado, não gosta de ser filmado, não gosta do mundo social. É um homem autêntico e é justamente para preservar essa autenticidade que se refugia.”

Fotógrafo inglês produz imagens deslumbrantes com técnica primitiva


Richard Learoyd recusa a tecnologia digital: ele criou uma nova versão da antiga "câmera escura", que registra seus modelos com impressionante naturalismo.

A fotografia digital é hoje onipresente. Impôs-se como o padrão não só para os diletantes que não deixam passar uma refeição sem registrá-la e compartilhá-la com seus smartphones, mas também para fotógrafos profissionais. Surpreende, portanto, que uma técnica de registro de imagem analógica, com raízes na antiga "câmera escura" já utilizada experimentalmente por pintores renascentistas como Leonardo Da Vinci, seja ainda empregada - e com grandes resultados estéticos. Pois o inglês Richard Learoyd - cuja obra está exposta em uma bela mostra no Victoria & Albert Museum, em Londres - faz exatamente isso. Seu trabalho é resultado de um processo muito particular e trabalhoso, que pode quase ser chamado de artesanal. "Eu tive a sorte de ser de uma geração anterior a dos computadores virarem regra", diz Learoyd, nascido em 1966. Aluno da Glasgow School of Art, Richard passou a experimentar durante as aulas um novo tipo de câmera escura. "Eu não sei por que, mas a câmera obscura pareceu-me o mais natural de métodos. 

O aparelho consiste no uso de uma lente, algumas luzes, e uma máquina de processamento. O processo tem certas qualidades internas, mas a qualidade mais importante para mim é que ele tem a capacidade de produzir fotografias que me fascinam, que correspondem à minha visão", disse ele a um site especializado em fotografia.

O método de Richard consiste numa junção entre a tecnologia antiga - a câmera escura - com iluminação estroboscópica e novas técnicas de impressão. A pessoa ou objeto a ser fotografado entra, literalmente, dentro da câmera, onde a luz projeta a imagem diretamente sobre um papel fotográfico (não há uso de filme e negativos). Como nos daguerreótipos do século XIX, a técnica exige um tempo longo de exposição. Os modelos chegam ao estúdio conscientes que podem passar um dia todo sob luzes quentes, e não podem se mexer. As fotografias são em grandes dimensões, o que contribui para seu impacto (as imagens reproduzidas aqui, naturalmente, perdem essa dimensão).

Pelo naturalismo com que reproduz as texturas da pele humana, a obra de Learoyd evoca a pintura do inglês Lucian Freud (1922-2011), que desconcertava por seus retratos em retoques nem idealização. 


Descoberta fotografia inédita de Billy The Kid



O criminoso norte-americano Billy The Kid, fez história no crime, mas pouco se sabe da sua curta vida. Agora, foi encontrada uma nova fotografia sua: comprada por dois dólares, pode valer milhões.

Henry McMarthy, também conhecido como Billy The Kid ou ainda simplesmente por “o fora da lei”, viveu apenas durante 21 anos, mas foi o suficiente para que o seu nome ficasse gravado na história. No seu curto período de vidrando quase sempre de arma na mão, pronto para matar, roubar e viver uma vida de crime entre os Estados Unidos e México,conta o The Guardian.

Mas, a verdade é que não se sabe muito sobre a vida deste fora da lei. Recentemente foi feita uma nova descoberta: Billy The Kid, para além de matar e roubar, também gostava de jogar críquete. E como se soube? Através de uma fotografia que mostra Billy a jogar no Novo México em 1878. A fotografia, segundo a BBC, foi comprada por Randy e Linda Guijarro, em 2010, numa feira de objetos em segunda mão, na Califórnia, por 2 dólares. Agora pode valer 5 milhões.


A imagem mostra Billy the Kid e o seu gangue, conhecidos como os “The Regulators”, a jogar críquete num casamento em Lincoln County, no verão de 1878, de acordo com a empresa Kagin’s, que autenticou a fotografia, explica o The Huffington Post.

A verdade é que os analistas ficaram inicialmente céticos quanto à autenticidade da fotografia, que os especialistas acreditam ser a segunda imagem do criminoso autenticada até hoje. A primeira foi autenticada em 2011, e avaliada em 2,3 milhões de dólares.

A primeira e única foto autenticada de Billy The Kid.

Um especialista da empresa Kagin’s, David McCarthy, conta o The Huffington Post, revelou que todos os especialistas ficaram céticos quanto à autenticidade da fotografia quando ela chegou à empresa. “Uma foto original de Billy the Kid é o santo graal da fotografia”, explicou.


Tivemos a certeza que conseguiríamos verificar onde, quando, como e por que é que a fotografia foi tirada. Uma equipa de peritos teve de atender a cada detalhe para garantir que nada estava fora do lugar”, acrescentou.

Depois de um ano de investigações, que deram origem a um documentário que será transmitido pela National Geographic, conta a BBC, os especialistas confirmaram a autenticidade da fotografia. Segundo o The Guardian, os peritos dirigiram-se ao Novo México e desenterraram, literalmente, as sobras do edifício que aparece na fotografia. ” Encontrámos madeira antiga”, disse Jeff Aiello, o diretor do documentário que será transmitido. “Encontrámos os pilares que ainda estão lá”, acrescenta.

playing croquette
Um elemento da Associação de Críquete do Reino Unido, Liz Larsson, confirmou que a cena da foto mostra que estava a ser jogado aquele desporto. “É claramente críquete. É possível ver o aro, as bolas, o pino central. Estão todos lá. É retrato fascinante”, disse ao The Guardian.
Billy The Kid ficou conhecido pela sua vida de criminoso e fugitivo, tendo na sua lista pessoal mais de 20 mortes. As histórias sobre o norte-americano são muitas, mas a vida do deliquente foi realmente curta, tendo sido assassinado a 14 de julho de 1881.

Morreu Hilla Becher, o olhar mais intransigente e doce da fotografia

A artista em frente às fotografias 
que tirou com o seu marido.
Hilla morreu oito anos após o marido, com quem trabalhou ao longo de 50 anos.

Com o marido, Berndt, com quem trabalhava em dupla, tornou-se numa referência maior da arte e da fotografia contemporânea internacional, gigantes que cunharam um estilo: a “escola Becher”. Hilla Becher (1934-2015) morreu no sábado aos 81 anos, confirmou esta terça-feira a sua editora, a Schirmer/Mosel. 

Depósitos de água, tanques de gás, passadeiras de areia, altos-fornos, moinhos, armazéns, fábricas, elevadores e torres de carvão, silos, refeitórios, fornos de cal, tudo quase sempre fotografado a preto-e-branco nas perspectivas frontais através das quais acreditavam que se revelava a verdade maior de um sujeito: ao longo de 50 anos Bernd e Hilla Becher fotografaram juntos – desde que em 1957 se conheceram como estudantes de arte.

Juntos, escolheram uma vida seminómada sempre em busca de formas, materiais e construções condenados à extinção, primeiro na Alemanha e em vários países da Europa Central, e, depois, nos Estados Unidos.

Precisamente, foi depois de começarem a trabalhar nos Estados Unidos, e de no arranque da década de 1970 lá terem lançado livro Anonyme Skulpturen, que afirmaram o seu nome e uma linguagem que nomes como Candida Höfer, Thomas Ruff, Thomas Struth e Andreas Gursky reinterpretariam, dando continuidade.

Bernd explicaria que desenvolveram “uma espécie de ideologia sem nunca a formular como tal”: “O que fizemos foi documentar as construções sagradas do calvinismo. O calvinismo rejeita todas as formas de arte e, por isso, nunca desenvolveu a sua própria arquitectura. Os edifícios que fotografamos estão directamente ligados a este pensamento puramente económico."

Sem assinatura individual, o casal cumpriu um grande programa de arqueologia visual industrial. Minimalista e conceptual, inspirado nos trabalhos de aproximação sistemática e pseudocientífica dos anos 1920 e 1930 de Karl Blossfeldt, Albert Renger-Patzsch e Angust Sander, um movimento que ficou conhecido como Novo Objectivismo, Bernd e Hilla Becher fizeram cerca de 16 mil fotografias que foram apresentando normalmente em grupos de 6, 9 ou 12 imagens. Sempre o mesmo protocolo: dias cinzentos, vistas frontais, sujeito ao centro do campo, preto-e-branco neutro.

“Hilla Becher era uma pessoa notavelmente incorruptível”, disse Thomas Struth à Time. Acrescentando: “Eu adorava a sua atitude intransigente mas aberta e delicada, sempre curiosa, não sentimental, mas amorosa. A sua morte é uma grande perda.”

Em 2002 Hilla Becher ganhou o Prémio Erasmus pelo seu papel fundamental na criação do departamento de Fotografia da Kunstakademia de Dusseldorf, onde deu aulas com o marido. Em 2014, sete anos após a morte de Bernd, ganhou também o Grande Prémio da fundação Sparkasse. Os Becher participaram nas Documenta 5, 6, 7 e 11, e tiveram grande exposições e estão representados nas colecções dos mais importantes museus dos mundo, entre os quais o Institute of Contemporary Arts, em Londres, o Stedelijk Museum, em Eindhoven, o Pompidou, em Paris, e o MoMA, o Metropolitan e o Guggenheim, em Nova Iorque, entre muitos outros.

Em Portugal, Bernd e Hilla Becher estão representados na colecção do Museu de Serralves, na Colecção Berardo e em duas grandes colecções hoje com destinos incertos: a colecção de fotografia do Banco Espírito Santo e na colecção de arte da Fundação Ellipse.

Fotografia:cursos online e gratuitos para você ganhar dinheiro nas horas vagas

Neste novo ano que vai entrar, qualquer dinheirinho que entrar na conta já é lucro. E um dos caminhos para conseguir esta renda extra é se profissionalizando e fazendo alguns "bicos" por aí.

A internet pode ajudar (e muito) neste quesito. Hoje, é possível encontrar diversos cursos gratuitos em sites especializados em educação à distância -- os chamados cursos EAD. Esta é a proposta principal do EduK.com.br.

Conhecida como a "Netflix" da educação, a plataforma reúne centenas de cursos gratuitos e ao vivo com temas como moda, fotografia, gastronomia e confeitaria, beleza e estética, artesanato, design, odontologia, entre outros.

Em média, os cursos da EduK têm 9 horas de duração e são divididos em três dias (três horas cada um). Hoje, são mais de 300 professores e 2,5 milhões de alunos em todo o Brasil.

"Com a crise econômica e o aumento do desemprego, sentimos maior interesse das pessoas em buscar um plano B, que possa garantir uma iniciativa ainda mais relevante para o País, garantido o empoderamento de seus cidadãos", conta o co-fundador e CEO da EduK, Eduardo Lima.

A startup foi criada em 2013, além dos cursos ao vivo e gratuitos, a startup oferece planos mensais de assinatura para os internautas que queiram ter acesso ao acervo dos cursos que já foram transmitidos no canal.

Entre os meses de outubro e novembro, a programação conta com cursos que vão de gastronomia a bordados para venda, além de aulas para administrar suas finanças.

Veja abaixo os cursos que vão ser transmitidos ao vivo e de graça, caso queira reciclar seus conhecimentos ou ganhar uma renda extra em uma nova área:



Data e horário: 19, 20 e 21 de outubro das 14 às 17h
Reprise: 19, 20 e 21 de outubro das 19 às 22h


Data e horário: 26, 27 e 28 de outubro das 14 às 17h
Reprise: 26, 27 e 28 de outubro das 19 às 22h


Data e horário: 29, 30 e 31 de outubro das 14 às 17h
Reprise: 29, 30 e 31 de outubro das 19 às 22h


Data e horário: 2, 3 e 4 de novembro das 14 às 16h
Reprise: 2, 3 e 4 de novembro das 19 às 21h


Data e horário: 30 de novembro e 1 e 2 de dezembro das 14h às 18h
Reprise: 30 de novembro e 1 e 2 de dezembro das 19h às 23h

GRANDE REPORTAGEM - “Quem disse que a fotografia tinha de ser fácil?”

Martin Parr: "Diria que a busca do lazer pelo mundo ocidental é a minha maior motivação fotográfica." ENRIC VIVES-RUBIO / UNITED PHOTO PRESS
Lisboa nunca tinha feito parte da rota de Martin Parr. Até agora. A recém-inaugurada Barbado Gallery, exclusivamente dedicada à fotografia, escolheu entrar na obra do fotógrafo britânico com um pé na praia.

É difícil não ver uma fotografia de Martin Parr. Elas entram-nos pelos olhos dentro. Mesmo na confusão da inauguração daquela que se apresentou como a primeira exposição individual do fotógrafo britânico em Portugal (não é – expôs em Braga em 1999). Mas, na verdade, quem entrasse na Barbado Gallery, em Lisboa, durante a recente apresentação à imprensa ouviria a voz grossa de Parr ao longe, num sotaque muito cerrado, a sobrepor-se às suas imagens, a confundir-se com elas.

Parr (e a sua obra) é daqueles fotógrafos capazes de gerar grandes amores e ódios figadais. Fala alto mesmo que lhe estejam a sussurrar uma pergunta - fala alto, mas mal mexe os lábios finos. A espaços, nota-se ironia e algum enfado (limitou as entrevistas em número e em tempo), ainda que no trato imediato demonstre uma simpatia diplomática. E até uma ou outra ousadia, como quando, no momento de uma fotografia da praxe, impôs como condição que a fotografada saltasse para o seu colo. Ou ainda quando, no retrato para um jornal, decidiu fazer uma pose à super-homem, de pernas abertas e punhos na cintura. É uma excentricidade snob que, afinal, também marca a sua obra, nomeadamente nas séries sobre as praias que começaram em meados dos anos 80, com The Last Resort, o seu primeiro grande projecto a cor. As praias na obra de Martin Parr (Epsom, 1952) são tantas e tão omnipresentes que dão para fazer um percurso retrospectivo e, a partir daí, compreender outros caminhos por onde andou. Foi isso que fez João Barbado, ao escolher com o fotógrafo britânico 25 imagens entre as séries mais antigas até obras captadas já este ano. E daí resultou A Place in the Sun - Martin Parr’s Beach Photos 1985-2015 (até 11 de Novembro), que mistura fotografias muito conhecidas (e esgotadas no mercado coleccionista) com obras pouco vistas. Certo é que todas tiveram o mesmo cuidado com os pormenores, na parede e fora dela – Barbado andou num corropio a borrifar a galeria com um frasco de fragâncias estivais. Conversa numa manhã de calor abafado com cheiro a bronzeador.

Porque é que decidiu concentrar-se nas praias para apresentar a sua primeira exposição individual em Portugal que é, ao mesmo tempo, uma pequena retrospectiva da sua obra? O que é que o fascina tanto nestes lugares?
Esta não é a minha primeira exposição individual em Portugal. Já fiz uma exposição em Braga. Mas é a primeira em Lisboa que, de todas as capitais da Europa e por razões insondáveis, era a única onde ainda não tinha mostrado o meu trabalho. As praias têm sido para mim um tema recorrente. Exploro-as de maneiras diferentes. São como um laboratório social. Quando começo a fotografar num qualquer lugar do mundo o meu ponto de partida são as praias. Acho que são uma óptima maneira de começar a olhar para um lugar. Há tantas e tão diferentes que nunca é aborrecido. É um projecto em permanente construção.

Mal chega a um lugar começa logo a procurar a costa, é isso?
Não, nem sempre. Hoje, por exemplo, está um dia quente mas só poderia ir fotografar às oito da manhã, quando não há ninguém. E isso não me interessa. É preciso tempo e eu estou aqui numa visita rápida.

As suas fotografias estão sempre cheias de pessoas.
Adoro fotografar pessoas. Somos infinitamente fascinantes.

Mar del Plata, Argentina, 2014. Da série Life’s a Beach © MARTIN PARR/BARBADO/MAGNUM

Fotografar na praia pode ser um exercício arriscado? Como tem lidado com isso?
Tornou-se mais arriscado recentemente. Há 30 anos a noção de pedofilia, por exemplo, não estava no pensamento das pessoas. É mais difícil hoje, sem dúvida.

Mas fala com as pessoas antes de as fotografar?
Não tenho nenhum método estipulado. Mas também falo com as pessoas, provavelmente até mais noutras situações do que na praia. Não sou purista quanto a isso nem tenho nada contra falar antes de fotografar. O problema é que trabalho muito em países estrangeiros onde não domino a língua. Por vezes, tenho um assistente local que traduz e isso simplifica as coisas.

E como reagem à presença de um desconhecido com uma câmara?
Em geral, as pessoas sentem-se lisonjeadas por estarem a ser fotografadas. Diria que uma em cada quatro é capaz de rejeitar. Haverá sempre pessoas a dizer “não, não me tire fotografias”. Mas essas são fáceis de descobrir. Normalmente vêm ter comigo muito aborrecidas. Como disse, são uma minoria. Mas quem disse que a fotografia tinha de ser fácil? Gosto do facto de não ser fácil.

Fale-nos das principais diferenças entre fotografar a praia em meados dos anos 80 e agora.
Bem, a moda mudou, mas provavelmente muito menos do que a mudança que ocorreu com os centros comerciais. Na verdade, as praias são eternas. O mobiliário e as lojas podem ter mudado um pouco. Os bikinis estão diferentes e as pessoas têm mais estilo, mas a maior parte das coisas não mudou nada.

Já fotografou nalguma praia em Portugal?
Não, nunca. Já estive aqui algumas vezes mas nunca fotografei a sério. Tenho noção disso e é algo que gostava de corrigir. Estou à espera de ter a oportunidade certa para fazer “o” trabalho de fotografia aqui e mostrá-lo depois. Acho que estou a aproximar-me do meu ponto cego em relação ao resto da Europa.

O turismo global, o exibicionismo, o kitsch e o consumismo são alguns dos temas recorrentes na sua obra. A praia é o lugar ideal para encontrar num só lugar todo este universo?
Sim, as praias têm tudo a ver com o lazer. Gosto de ver as pessoas enquanto procuram esse estado de descontracção. Há muitos anos que ando a olhar para as praias e o turismo, são assuntos que têm estado sempre presentes na minha carreira, embora tenham sido objecto de diferentes capítulos, livros e aproximações. Diria que a busca do lazer pelo mundo Ocidental é a minha maior motivação fotográfica.
Miami, Florida, EUA. 1998. Da série Common Sense, 1995-99 © MARTIN PARR/BARBADO/MAGNUM

E o consumismo?
Também, claro. O consumismo é uma actividade do lazer. Tive uma fase, nos anos 80 e 90, em que fotografei muitos supermercados e centros comerciais.

Mas isso chocava-o?
Não, nem por isso. Imagino que num país como Portugal as mudanças têm sido menos acentuadas. Mas parece-me que, ainda assim, tem havido mudanças. E as mudanças são sempre interessantes. Tento responder àquilo que muda. Parte do meu trabalho passa por documentar o mundo em que vivemos para que no futuro possamos olhar para trás e termos algo que recordar. As minhas fotografias dos anos 80 são muito diferentes das que capto hoje. O mundo mudou muito. É preciso que o trabalho fotográfico tenha alguma validade documental. Ao olharmos para estas imagens [na galeria] podemos encontrar boas fotografias. Mas é preciso que elas documentem o mundo. É isso que lhes dá valor. Se se acrescentar a esse valor do documental uma boa fotografia, temos um bónus.

A mudança do preto e branco para a cor em meados dos anos 80 está relacionada com o facto de ter começado a fotografar na praia em trabalhos como The Last Resort?
Sim. Na verdade, esse foi o primeiro grande trabalho que fiz a cor. Foi muito interessante descobrir a praia através da cor.

No texto de apresentação desta exposição Agnès de Gouvion Saint-Cyr afirma que as suas fotografias lhe fazem lembrar quadros de Pieter Brueghel (sempre com muitas pessoas e ocupações do quotidiano). Revê-se nesta associação?
Talvez, ainda não li o texto. E também não conheço assim tão bem os quadros de Brueghel. Mas parece-me uma boa associação. Não sou muito bom a falar de arte. Sou uma pessoa simples com sentido intuitivo e livre acerca do que está certo ou errado.

À partida, o ambiente da praia tem tudo para ser mau para um fotógrafo: excesso de luz, reflexos, areia, confusão…
Isso para mim parece-me tudo bem!

Mas qual é para si o maior pesadelo enquanto fotografa na praia?
Não haver pessoas suficientes. Praias desertas não têm interesse. Quando ia de férias para a Escócia as praias costumavam estar todas desertas. Era bom para fazer caminhadas. Mas tinha de me forçar a fazer férias naqueles lugares porque para fotografar não havia nada de excitante. Aquilo que quero é fotografar praias cheias de gente.

No Reino Unido isso é capaz de ser um pouco difícil…
Não, nem por isso. Num dia quente de Verão as praias enchem depressa. Ao contrário de Portugal, que tem muitos dias seguidos de calor, o tempo no Reino Unido é muito imprevisível. Quando há uma ponta de sol toda a gente sai à rua.

É presidente da agência de fotografia Magnum desde o ano passado e membro efectivo há mais de 25. O que o levou a aceitar agora a liderança da cooperativa?
Não havia mais ninguém para o fazer! É um cargo que tem de ser desempenhado por um fotógrafo da cooperativa e na última reunião percebi que não havia candidatos. Achei que podia desempenhá-lo e avancei. Nomeamos um CEO muito dinâmico que vai ajudar-nos a implementar uma gestão mais empresarial. As mudanças no mercado da fotografia e no mundo editorial são enormes. Ao contrário de muitas agências, felizmente na Magnum temos a cultura e o engenho para seguir em frente, mas temos enfrentado tempos difíceis. Temos que nos adaptar às novas formas de consumir fotografia.

Acha que os moldes em que funciona a agência ainda fazem sentido hoje?
Da maneira como funcionava antes, não, seria redundante. Temos de mudar. Por exemplo, estamos a trabalhar num canal business-to-customer [empresa produtora ou vendedora negoceia com o consumidor final], queremos continuar a apostar na venda de cópias originais de fotógrafos da agência - que tem sido um sucesso -, em projectos de grupo e em parcerias. Temos de procurar formas de nos tornarmos mais sustentáveis. Isso é um desafio meu e do actual quadro de gestão.
New Brighton, Inglaterra. Da série The Last Resort, 1983-85 © MARTIN PARR/BARBADO/MAGNUM

A conta de Instagram da Magnum tem quase meio milhão de seguidores…
A sério? Não sabia.

O humor, uma faceta muito presente na sua obra, é um género pouco habitual na fotografia de hoje. Porque é que acha que isto acontece? É subvalorizado?
É? Não sei. As pessoas são engraçadas. O mundo é engraçado. E se não rirmos, choramos. Aquilo que quero é reflectir a minha própria sensibilidade nas imagens que tiro. Não me compete fazer juízos de valor sobre as minhas fotografias. Isso é o seu trabalho. Crio imagens divertidas que têm uma mensagem séria acerca das contradições do mundo. Só isso. Não posso verbalizar o que as pessoas acham das minhas fotografias. Isso é com elas. As minhas imagens falam por si, para o bem e para o mal.

A sua paixão por livros de fotografia é muito conhecida. Ainda tem espaço em casa para livros?
Estou a ficar sem espaço, muito depressa. Tenho outro edifício para além da casa, onde já estou a ficar sem espaço também. É um problema. Mas quando se tem um vício como este é difícil parar.

É uma paixão compulsiva.
É como a heroína ou o crack. É mesmo muito difícil parar. Esta tarde vou à procura de livros de fotografia em Lisboa. Portugal é um país interessante. Há livros extraordinários da época do fascismo dos anos 30. E depois há também livros publicados em Angola com muito interesse. Acho que, neste campo, Portugal é um país onde ainda há muito por descobrir.

Que tipo de livros o tem fascinado mais nos últimos tempos?
Uma colecção que comprei no Irão, um país onde é muito complicado encontrar livros, em particular sobre a guerra Irão/Iraque e sobre a revolução. Comprei recentemente uma grande colecção deles, uns 30 ou 40. É inacreditável. Há bons livros e fotógrafos de quem nunca ouvimos falar. Já não há assim tantas histórias escondidas como esta. Recentemente publiquei um livro sobre fotolivros chineses. Chegaremos a um ponto em que nada restará desconhecido.

Costuma acompanhar o que lá se publica? Como olha para este universo?
Gosto do Instagram, mas pessoalmente não contribuo nem sigo o que a Magnum lá publica.

Tem alguma conta pessoal?
Não. Só tenho uma página de Facebook que alguém gere por mim. Sabe, sou uma pessoa um bocado antiquada. E, por outro lado, estou sempre sobrecarregado com pedidos de toda a natureza. Mal consigo sobreviver. Por isso fico contente que a Magnum faça posts no Instagram por mim. O meu sentimento em relação aos media sociais é de indulgência. Tenho um site muito completo, actualizado e com muita informação. Invisto muito nele. Não posso ficar atento a tudo o que se passa no Instagram.

O volume três de The Photobook - A History (Phaidon, 2014) será o último?
Para já sim, mas quem sabe… Desde que esse livro foi publicado já encontrei outros que mereceriam entrar.

As pessoas costumam mandar-lhe livros?
Sim, muitos, uns bons uns maus (mais maus do que bons). Mas sabe, da mesma maneira que precisamos de má fotografia também precisamos de maus livros de fotografia – vão ajudar-nos a descobrir os bons.

Portugal tem quatro entradas no The Photobook... Recorda-se de algum deles e as razões que os levaram a incluí-lo?
Sim, claro. O Portugal 1934 é um exemplo extraordinário de um livro fascista de propaganda, com uma estética igual ao que se fazia na Rússia e na Itália. Não há grande conhecimento das edições fascistas de propaganda portuguesas, é um mundo ainda um pouco escondido. E há também bons livros contemporâneos, como o de José Pedro Cortes. Há bons fotógrafos jovens em Portugal e fico contente por poder mostrar algum do seu trabalho. Haverá certamente outros bons exemplos, mas tínhamos de cobrir todos os países do mundo e não podíamos mostrar toda a gente. Tivemos de escolher

No ano passado, decidiu pôr em confronto no Museu da Ciência em Londres o seu primeiro grande trabalho de meados dos anos 70, The Nonconformists, com o trabalho de Tony Ray-Jones (1941-1972). Fale-nos da experiência de mergulhar nos arquivos de alguém que foi uma das suas principais influências.
Foi muito interessante olhar para as provas de contacto e descobrir novas fotografias que talvez tenham sido negligenciadas. O que ele tinha de mais forte era a noção de espaço. Dá a sensação de que conseguia fotografar os intervalos entre as coisas e as situações. Foi um bom exercício entrar no mundo dele e encontrar novas fotografias. E, claro, foi uma honra poder mostrar as minhas imagens junto das de Tony.

Ray-Jones também fotografou muito a praia. Pode considerar-se que ele abriu uma porta pela qual também decidiu entrar?
Com certeza. Apesar de ter começado a fotografar praias antes de conhecer o trabalho de Tony Ray-Jones (nunca o conheci pessoalmente) devo muito às imagens dele sobre esse universo. Quando as descobri, fiquei espantado com a habilidade que tinha para lidar com o espaço e isso foi uma coisa que tentei aplicar ao meu trabalho. Foi uma profunda influência e não o nego.

É descrito como uma pessoa de múltiplos talentos. O que é que se sente mais: um fotógrafo, um editor, um curador, um coleccionador de imagens ou um acumulador de coisas?
Vejo-me sobretudo como um fotógrafo. É aquilo que de mais importante faço. Todas as outras actividades, que me dão muito gozo, são um complemento dessa faceta. Mas, ultimamente, tenho dado prioridade à fotografia.
Eastbourne, Inglaterra. Da série Think of England, 1995-99 © MARTIN PARR/BARBADO/MAGNUM

Qual foi a última fotografia que tirou?
Hmmm… Foi uma fotografia de moda no espaço Le Bon Marché, em Paris.

A fotografia e a dor do mundo


A fotografia que vem comovendo o mundo de uma criança síria de três anos afogada no naufrágio de uma embarcação de migrantes que tentavam chegar à Grécia mostra “a urgência de agir”, disse hoje o primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

“A criança se chamava Aylan Kurdi. Urgência de agir. Urgência de uma mobilização europeia”, escreveu Valls no Twitter, ao divulgar uma das fotografias mostrando um polícial turco com a criança morta no colo.
Saiba Mais

Conselho Europeu apela aos países-membros para acolherem 100 mil refugiados

Inicialmente divulgada nas redes sociais, a fotografia do corpo da criança morta que apareceu na praia foi publicada hoje na primeira página de numerosos jornais europeus.

A ministra da Educação francesa, Najat Vallaud-Belkacem, disse: “Mais insuportável ainda que esta imagem – que na minha opinião deve ser mostrada – porque não devemos desviar o olhar, é a situação desses migrantes”, disse na televisão iTélé.

Duas embarcações naufragaram na noite de terça-feira para quarta-feira depois de partirem da cidade turca de Bodrum com destino à ilha grega de Kos, uma das mais curtas travessias marítimas entre a Turquia e a Europa, disseram guardas fronteiriços turcos.

As equipes de salvamento recuperaram 12 corpos, entre os quais o de Aylan Kurdi, com 3 anos, cujo irmão Galip, de cinco anos, também morreu no naufrágio, segundo a imprensa turca.

“Desde o início do ano, mais de 2.500 migrantes morreram afogados no Mediterrâneo”, lembrou a ministra Najat Vallaud-Belkacem.

Facebook: é crime partilhar fotos sem licença


Publicação de imagens sem autorização dos retratados é ilegal.

O Tribunal da Relação do Porto considerou crime a publicação de fotografias no Facebook sem autorização do fotografado, ainda que este tenha permitido a captação da imagem. "O direito à imagem tem uma forte proteção em Portugal e o facto de permitir que me tirem uma foto não é igual a autorizar a sua utilização pública, como a partilha numa rede social", diz ao CM Francisco Teixeira da Mota, ressalvando que a única exceção se aplica a figuras públicas. 

O advogado sublinha que, "em abstrato, o direito à imagem do fotografado prevalece sobre a vontade de quem tem as fotos" e isto acontece mesmo entre amigos ou familiares que não tenham consentido a publicação das fotografias. 

A decisão do Tribunal da Relação diz respeito ao caso de um homem, não identificado, que apresentou queixa ao Ministério Público devido à partilha no Facebook de fotografias, sem a sua autorização, por parte de uma mulher com a qual manteve uma relação extraconjugal durante um ano, tendo nascido uma criança desse relacionamento. O Ministério Público arquivou uma das queixas do indivíduo, o que o levou a recorrer à Relação. 

Os juízes dizem que o direito à imagem engloba o direito a não ser fotografado e a que uma foto não seja publicada: "A divulgação não consentida de imagem é ilícita, mesmo que a fotografia tenha sido feita legitimamente." O tribunal concluiu que a conduta da arguida constitui um ato ilícito penal, uma vez que a mesma "bem sabia e tinha perfeito conhecimento" de que publicava as fotografias contra a vontade do homem "tendo querido fazê-lo para serem do conhecimento de terceiros".

Museu Oscar Niemeyer recebe mostra com fotos da União Soviética

Jovens bailarinas, de Vladiimir Lagrange

O Museu Oscar Niemeyer (MON) abrirá nesta quinta-feira (16), às 19h30, na sala 7, a exposição “União Soviética através da câmera”, com cerca de 200 imagens em preto e branco, do ano de 1956, feitas por seis importantes fotógrafos da União Soviética. 

No mesmo dia haverá uma mesa-redonda, às 18h30, com Vladimir Lagrange, um dos fotógrafos presentes na mostra, e os curadores Luiz Gustavo Carvalho e Maria Vragova. A conversa será no miniauditório, com entrada franca. 

As fotografias de 1956 mostram acontecimentos marcantes daquele ano na então União Soviética: Nikita Khruschev denuncia os crimes cometidos por Josef Stalin, morto em 1953, e as tropas soviéticas invadem a Hungria. 

Para retratar este ambiente, os curadores selecionaram obras de alguns dos mais importantes fotógrafos da URSS: Viktor Akhlomov, Yuri Krivonossov, Antanas Sutkus, Vladimir Lagrange, Leonid Lazarev e Vladimir Bogdanov. 

A diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer, Juliana Vosnika, diz que é muito significativo receber uma exposição que retrata um importante momento histórico. “Os visitantes poderão notar as semelhanças e diferenças daquele período em relação ao pensamento contemporâneo”, afirma.

REFLEXÃO – Os curadores explicam a linha da mostra. “Através do olhar de seis fotógrafos diferentes, a exposição propõe uma reflexão sobre a vida cotidiana deste ‘país fantasma’, do Degelo de Khruschev à Perestroika de Gorbatchev, assim como sobre o papel singular exercido pela fotografia na sociedade soviética pós-stalinista”. Na abertura, às 19h30, haverá também uma visita guiada feita pelo fotógrafo e pelo curador.

A mostra fica em cartaz até o dia 25 de outubro de 2015 e os ingressos custam R$9 e R$4,50 ( meia-entrada).

CURADORES - Luiz Gustavo Carvalho estudou música e cinema em Viena e em Moscou. Em 2007, organizou várias turnês musicais junto com os músicos Geza Hosszu -Legacy e Grigory Alumyan na Europa e no Brasil. Em 2008, foi o diretor artístico do Château d'Orion na França, organizando diversos concertos de música clássica, discussões filosóficas e exposições fotográficas. Em março de 2011, apresentou a primeira grande retrospectiva do fotógrafo Antanas Sutkus na França (Toulouse). Em 2012, assinou a direção do Festival Artes Vertentes e foi curador da itinerância da exposição "Antanas Sutkus: um olhar livre" que percorreu o Brasil em 2012-2013 e da exposição "Assim Vivíamos" do Vladimir Lagrange.

Desde 2004, Maria Vragova vem contribuindo como produtora cultural em diversos projetos. Em 2007, foi responsável por toda a organização dos eventos dedicados ao aniversário da Catedral Ortodoxa de São Pedro e São Paulo em Karlovy Vary. Em 2008, organizou a primeira retrospectiva de Oscar Niemeyer no Museu de Arquitetura de Moscou. Em 2009, participou na organização do Progetto Argerich, em Lugano. Em 2011 trabalhou na elaboração do projeto de criação do Cais das Artes na cidade de Vitória, no Espírito Santo. Em 2012-2013 organizou a exposição "Antanas Sutkus: um olhar livre" em 16 cidades brasileiras. Realiza a direção executiva do Festival Internacional de Artes de Tiradentes: Artes Vertentes.

FOTÓGRAFO - Nascido em Moscou em 1939, Vladimir Lagrange iniciou, em 1959, os seus estudos de fotojornalismo na Agência de Imprensa TASS, onde conheceu os fotógrafos Vasily Egorov e Nikolay Kuleshov, os quais considera seus primeiros professores. Tornou-se fotojornalista pela agência TASS.

Em 1963, fez sua primeira participação em uma exposição internacional em Budapeste, Hungria, onde foi premiado com a Medalha de Ouro pela fotografia “Pequena bailarina”. O ano seguinte iniciou seus estudos de jornalismo na Universidade Estatal de Moscou Lomonossov. Entre 1963-1989 atuou como fotógrafo correspondente da revista “União Soviética”.

Durante vários anos, Vladimir Lagrange contribuiu para publicações nacionais e internacionais, como “Jornal Literário”, “Paris Match”, “Freie Welt” e “Komsomolskaya Pravda”. Foi um dos 100 fotógrafos escolhidos para participar do livro “Um dia na vida da União Soviética”. 

Vladimir Lagrange recebeu os mais altos prêmios e distinções do seu país, entre os quais se destaca o “Olho Dourado”, concedido pela União dos Jornalistas da Rússia. As suas obras integram importantes coleções fotográficas em diversos museus e centros de fotografia na Europa.

Serviço
“A União Soviética através da câmera”
Abertura: quinta-feira (16.07)
horário:19h30 – Sala 7
entrada gratuita 
Até 25 de outubro de 2015

Mesa-redonda:
Vladimir Lagrange, Luiz Gustavo Carvalho e Maria Vragova
Local: Miniauditório
Horário: 18h30
Entrada gratuita
Terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: R$9 e R$4,50 (meia-entrada)

Museu Orscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba - PR
Mais informações: (41) 3350 4400
www.museuoscarniemeyer.org.br

Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:

O Portugal de oitocentos pela lente de Emílio Biel



Nasceu alemão, em Amberg, no coração da Baviera, mas viveu toda a vida em Portugal. As fotografias de Emílio Biel estão expostas a partir desta sexta-feira, dia 10, na Casa do Infante, no Porto. 

Podem ver-se várias objectos fotográficos seleccionados do total de 546 existentes no Arquivo Histórico Municipal (e que pertencem ao município do Porto). Há negativos de vidro, películas e albuminas. Todos revelam o olhar deste industrial amante da fotografia sobre o País que o acolheu em 1857. Biel chegou a Lisboa nessa data e, três anos depois, rumou ao Porto onde viria a fundar o seu primeiro negócio: uma fábrica de botões. 


Na década de 70 começou a dedicar-se à fotografia e, em 1873, comprou a Fotografia Fritz, na rua do Almada, no Porto, que rapidamente se tornou um dos maiores estúdios de Portugal.
O casamento com Edith Katzenstein, filha do cônsul do império alemão no Porto, fez com que privasse com D. Fernando II, conhecido como o Rei-Artista, e se tornasse "o Photographo da Casa Real". 



Homem das artes e da cultura, Biel era amigo dos pintores Silva Porto, Marques de Oliveira e Henrique Pousão. Do seu estúdio nasceu uma edição de Os Lusíadas em fototipia, uma técnica que Biel aprendeu com outro conhecido fotógrafo da época, Carlos Relvas. 



Além da exposição, há um programa paralelo que inclui sessões sobre a história da fotografia, oficinas de sensibilização sobre técnicas fotográficas e um percurso cultural. Será também apresentado o livro O Portugal de Emílio Biel. 

O Portugal de Emílio Biel
Casa do Infante 
R. Alfândega, 10, Porto 
10/7 a 21/9 || 9h30-17h (fecha das 12h30 às 14h ao sáb. e dom)
Entrada Livre
Efotografias do industrial alemão que documentou o nosso País em exposição no PortofotografAs fotografias do industrial alemão que documentou o nosso País em exposição no Portoias do industrial alemão que documentou o nosso País em exposição no Porto

A sua liberdade de partilhar as fotos que tira em espaços públicos pode estar prestes a sofrer uma grande limitação.

Vista de Londres com as restrições da lei que irá limitar a liberdade de panorama em nome dos direitos de autor.

A sua liberdade de partilhar as fotos que tira em espaços públicos pode estar prestes a sofrer uma grande limitação. Uma lei que será discutida no Parlamento Europeu na próxima semana poderá impedir, em nome da proteção dos direitos de autor, a partilha de imagens com determinados elementos na paisagem.

Todos os dias, milhões de europeus quebram leis de direitos de autor, muitas vezes sem saber. Em países como aFrança, Itália e Bélgica, simples fotografias tiradas na rua podem constituir eventuais infrações aos direitos de autor.

Por exemplo, se for apanhado a publicar uma foto da Torre Eiffel à noite, por exemplo, pode ser penalizado: há uma empresa que detém os direitos de autor da iluminação da torre que lhe pode pedir, a qualquer momento, uma compensação pela publicação dessas fotos.

A chamada liberdade de panorama – o direito de usar fotos de espaços públicos sem restrições, sem precisar pedir autorização ao proprietário do edifício ou ao detentor dos direitos de autor - é garantida na maioria dos países europeus, incluindo em Portugal, mas encontra-se agora em risco devido a uma reforma da legislação que está a ser negociada no Parlamento Europeu.

A ideia inicial da reforma era harmonizar as leis de direitos de autor no espaço comunitário, estendendo a liberdade de panorama aos poucos países que ainda não a salvaguardam.


Sem liberdade de panorama, poderia ter que fazer isto às fotos das suas férias em Londres

A eurodeputada Julia Reda, relatora do projeto de reforma, propôs ao Parlamento Europeu “garantir que o uso de fotografias, vídeos ou outras imagens de obras que estão localizadas de forma permanente em espaços públicos sejam permitidas“, acabando com leis como as de França.

No entanto, um grupo de eurodeputados tentou introduzir uma cláusula sobre o uso não-comercial nas regras da liberdade de panorama, o que obrigaria a uma autorização prévia para que as imagens sejam publicadas, subvertendo o objetivo da reforma da legislação.

Em alguns casos, o impacto dessa cláusula significaria que partilhar as fotos das suas férias no Facebook ou publicá-las na Wikipedia para ilustrar um artigo passa a ser ilegal.

O argumento usado pelos que apelam à introdução da cláusula é o de que restringir o “uso comercial” seria aceitável, afetando apenas fotógrafos profissionais e a indústria cinematográfica - mas as coisas não são bem assim.

Na prática, qualquer indivíduo que publicar fotos pessoais numa rede social é também afetado por esta limitação, dado que muitos destes sites incluem nos seus termos de uso que os utilizadores cedam o direito de usar comercialmente os conteúdos publicados e exigem aos utilizadores que não façam upload de fotos que infrinjam direitos de autor de terceiros.

Qualquer pessoa que use as redes sociais para partilhar mesmo fotos privadas que incluam algum edifício moderno ou mesmo uma rua incorre, assim, num risco legal. A alternativa para contornar a situação é risível: apagar da fotografia os elementos abrangidos por direitos de autor, ou substituí-los por ilustrações dos mesmos.

O relatório será votado por todos os eurodeputados no dia 9 de julho em Estrasburgo, na reunião plenária do Parlamento Europeu. Num artigo de opinião no britânico The Guardian, Jimmy Wales, um dos fundadores da Wikipedia, apela aos cidadãos que assinem uma petição e apelem aos eurodeputados dos respetivos países que votem contra a emenda 421 da Imprementação da Directiva 2001/29/EC.