A todos um Natal de Luz e Harmonia e um Ano Novo cheio de Paz e Prosperidade !

Carlos Alves de Sousa / Presidente da United Photo Press

Caros membros, colegas, amigos e colaboradores em geral

Durante o ano de 2014, mais uma vez vocês foram companheiros da nossa labuta diária. No balanço dos dias pudemos contar com a força e o apoio de cada um de vocês, seja comparecendo às nossas actividades, seja nos ajudando na divulgação das nossas diversas acções, realizadas pelo mundo fora.

Nem sempre podemos agradecer um a um da maneira como gostaríamos ou como mereceriam, mas gostaria de registar que nestes 21 anos de Presidente da direção internacional da United Photo Press, me senti tão amparado e prestigiado por todos os meus colegas de trabalho no mundo inteiro, como nesta árdua empreitada de presidir a uma organização internacional com o prestigio reconhecido. O ano de 2014 pautou-se por dias de alegria, de partilha, de intensa caminhada, de grandes descobertas, uma harmonia que não pode ser traduzida em simples palavras. Seria preciso sentir, viver cada momento, ser cada movimento, para se ter a compreensão deste ano, a fotografia continua a ser mais do que alguns pensam e outros sonham...assim como o casamento...!

Como alguns membros mais directos da United Photo Press sabem, foram precisos 9 meses de trabalho continuo nos quatro continentes, para colocar a exposição e o livro internacional "WORLD 2014" no ar, que contou no total com 900 fotografias selecionadas de 300 fotógrafos e pintores da United Photo Press em todo o mundo.

O reconhecimento internacional veio pela "European Photo Safety ", na qual iremos apresentar a exposição fotográfica e o livro "WORLD 2015", assim como iniciar o ano de 2015 com uma exposição fotográfica e de pintura na Casa da Cultura de Setúbal, em Portugal.

Como o tempo é de reflexão e as mudanças climáticas que a todos nos afetam, já fazem parte do nosso dia-a-dia, a United Photo Press, sempre atenta e participativa nas "linhas verdes" da nossa página ECO | WORLD com uma grande componente ambientalista, vai preparar o projecto para 2015, juntamente com vários parceiros ambientais e outros, uma mega concurso internacional, para futura exposição e livro, denominado " ECO | WORLD " que fará parte a componente fotográfica e artes plásticas em todas as suas vertentes.

É Natal, o bom será afastar de nós a tristeza, e não nos deixarmos afligir com preocupações, o futuro a todos nós pertence... quero apenas agradecer a todos vocês pela caminhada destes 20 anos.

A todos um Natal de Luz e Harmonia e um Ano Novo cheio de Paz e Prosperidade !

Carlos Alves de Sousa
Presidente da United Photo Press

Museu mais antigo do mundo sobre fotografia pode ser visitado pela web


Raro retrato de Louis Daguerre, francês inventor da Fotografia. O retrato foi feito pelo daguerreotipista Jean Baptiste Sabatier-Blot em 1844 (Foto: George Eastman House/Google Art Project)
Google e George Eastman House, nos EUA, anunciaram parceria inédita.Raridades como retrato de Louis Daguerre podem ser exploradas com zoom.
O George Eastman House, mais antigo museu sobre fotografia do mundo, anunciou nesta semana que passou a disponibilizar 50 imagens de suas coleções em alta resolução na web como parte do Google Art Project, que já havia feito parcerias semelhantes com outros grandes museus. Visite a página.

É o primeiro museu de fotografia a participar do projeto, que possui uma ferramenta de zoom que "permite aos usuários a habilidade para descobrir detalhes nunca antes vistos", segundo informações do museu. Além disso, todas as informações disponíveis sobre cada imagem foram disponibilizadas, possibilitando pesquisas pela web que antes não podiam ser feitas. E a ferramenta de mapa permite localizar onde a imagem foi feita.

Entre as raridades, é possível ver um retrato de Louis Daguerre, um dos descobridores da Fotografia. Também estão disponíveis peças de outros pioneiros e lendários fotógrafos, como Fox Talbot, Mathew Brady, Eadweard Muybridge, William Henry Jackson, Eugene Atget e Alfred Stieglitz.

O museu George Eastman House fica em Rochester, no estado de Nova York, a mais de 500 km de Manhattan. Especializado em fotografia, ele foi aberto em 1949 e funciona como instituição independente sem fins lucrativos.

Esta é a primeira fotografia já feita registrando um acidente de trem. O acidente ocorreu na ferrovia Providence Worcester perto de Pawtucket, no estado americano de Rhode Island (Foto: George Eastman)


Xie Kitchin como 'um chinês', imagem feita em 1873 pelo escritor Lewis Carroll, famoso por 'Alice no País das Maravilhas'. O escritor também tinha interesse pela fotografia (Foto: George Eastman House/Google Art Project)

22 fotografias de um mundo bonito


A edição 2015 dos Sony World Photography Awards já está em marcha e já se podem apreciar algumas das fotografias a concurso. De profissionais e de amadores, e também de jovens. Um mundo bonito de ver.

Desde 2007 que dezenas de milhar de amantes da fotografia enviam as suas imagens para os Sony World Photography Awards. Acorrem de todo o mundo, são profissionais e são amadores. Há trabalhos vindos da Roménia e Nova Zelândia, da China e do Chile, dos Estados Unidos e da Indonésia, da França e de Portugal. No total, desde que arrancou, este prémio já juntou 700 mil fotografias, quase sempre impressionantes.

São quatro os concursos: a competição profissional, destinada aos que apresentam uma série de trabalhos; a competição aberta, para amadores e outros entusiastas; o concurso para os estudantes de fotografia; e por fim o prémio de juventude, aberto aos que tiveram até 19 anos.

Para além disso, pode-se concorrer a dez categorias: Arquitetura; Arte e Cultura; Fotografias trabalhadas; Fração de segundo; Natureza e Vida Selvagem; Com pouca luz; Panorâmicas; Gente; Sorrisos; e por fim Viagem;

O Observador divulga algumas das mais belas imagens a concurso este ano.

O júri do concurso profissional de 2015 é formado por Oliver Schmitt, Matthew Leifheit, Xingxin Guo, Joanna Milter, Maria Pieri, Enrica Viganò e Sasha Erwitt.

Os trabalhos a concurso podem ser entregues até 8 de janeiro, no site dos Sony World Photography Awards.

As fotografias dos impérios coloniais...



A algumas falta-lhes o contexto, a outras sobram leituras. Umas servem a política de conquista e opressão, outras são usadas para denunciar e resistir. 

Mas todas parecem causar um certo desconforto. Ainda faz sentido falar em fotografia colonial? 


Primeira história da fotografia no império português.

Fotografias soltas numa caixa de cartão. Há de casamentos, baptizados, trabalhadores no campo, desfiles de minhotas trajadas a preceito e muitos retratos de crianças com dedicatórias, daqueles que era costume enviar a tios e avós na altura das festas. 


Na banca seguinte são os álbuns de guerra que guardam as imagens de um império que começava a deixar de o ser de forma irreversível. Num e noutro caso é de pessoas desconhecidas que se trata. Num e noutro caso é de memória que falamos, de um património visual de onde se pode partir para reescrever histórias privadas que fazem parte de uma narrativa partilhada...



Oitenta barbudos numa exposição de fotografia em Londres

O regresso à pogonofilia (paixão pelas barbas) pode ser uma tendência moderna, mas mesmo que não seja o seu caso vale a pena conhecer algumas das barbas que Brock Elbank vai apresentar em Londres.

Deixar crescer a barba é um conceito que se tem tornado cada vez mais popular, seja pela possibilidade de participar em concursos de criatividade, seja como regresso a uma “vida rural e autêntica” como o estilo lumbersexual (estilo lenhador). Mas o objetivo do fotógrafo Brock Elbank era maior que isso, era sensibilizar para o cancro da pele.

O trabalho que teve de fazer para a revista neozelandesa Black deixou-o fascinado com barbas e depressa resolveu preparar um projeto que incluísse pelos faciais. Quando conheceu Jimmy Niggles a motivação do projeto fotográfico mudou. Niggles tinha deixado crescer a barba depois de um amigo ter morrido de melanoma (a forma mais severa de cancro da pele) como forma de sensibilização para o rastreio e Elbank lançou o projeto #Project60 para fotografar 60 barbas e contribuir para a mesma causa. Brock Elbank recebeu cerca de 1.200 candidaturas de possíveis modelos e os 60 escolhidos viajar até à área rural de Warwickshire, no Reino Unido, para serem fotografados sem qualquer compensação das despesas.

As fotografias tiradas no âmbito do #Project60 e outras que nunca foram apresentadas em público – num total de 80 quadros – estarão em exposição no centro cultural Somerset House, em Londres, de 5 a 29 de março de 2015. Entre os pogonófilos (amantes de barbas) que quiseram fazer parte deste projeto contam-se algumas personalidades como o ator John Hurt ou os modelos Ricki Hall e Billy Huxley, mas também algumas personagens interessantes como o tatoista Miles Better ou a britânica Harnaam Kaur – que desde os 16 anos tem barba, resultado de uma doença nos ovários que lhe causa excesso de pilosidade, lê-se no comunicado de imprensa do centro cultural.

Street Photography ganha exposição em museu de Bruxelas

Nesta semana vamos visitar um mestre catalão da pintura na Áustria, admirar fotografias de rua e
diálogos de artistas plásticas na Bélgica, curtir um filme pop que está encantando Paris, dirigido pelo líder da banda escocesa Belle&Sebastian.

O mestre catalão Joan Miró, rei das cores, adorava viajar para se inspirar.

Joan Miró, "Painting", óleo sobre tela criado em
abril de 1933.© Successió Miró 2014
Bildrecht, Vienna, 2014
Da Catalunha a Paris, de Barcelona a Nova York, da Normandia à Palma de Maiorca, a visão que ele tinha do mundo ia para suas telas.

Além dos seus lindos óleos minimalistas, ele também pintou a natureza e as tristezas de sua época como a Guerra da Espanha e a Segunda Guerra Mundial.

E é o conjunto dessas obras que o Museu Albertina da Áustria está apresentando até 11 de janeiro do ano que vem.

"Miró: da Terra para o Céu" é o nome da mostra que reúne mais de cem obras. Pinturas, esculturas, desenhos, nos levam a acompanhar a trajetória do artista, bastante realista no começo de sua carreira; depois, como ele mesmo dizia, após ter contato com os surrealistas sentiu um desejo irresistível "de assassinar a pintura". E foi assim que chegou às pinturas tão poéticas, e super famosas, com formas de luas, sóis, estrelas e pássaros.

Fotos e diálogos plásticos em Bruxelas


Street Photos, Fotografias urbanas, é uma das vertentes da arte do olhar que vem explodindo na Bélgica.

Estes últimos anos foram marcados pelo surgimento de novos nomes que rivalizam em talento e criatividade, em um leque incrível de gêneros.

Para explorar esta produção borbulhante, o Museu Belvue de Bruxelas está apresentando a mostra "Belgian Street Photography". Os visitantes vão curtir muito tantas interpretações das linguagens das cidades.

Jimmy Kets, Karina Brys, Filip Claus e John Vink são alguns dos muitos fotógrafos expostos.

Ainda em Bruxelas...

O encontro da escultora belga Anne De Mol e da pintora espanhola Chantal Ripol, propõe o diálogo de duas obras distintas, mas igualmente apaixonadas.

Anne De Mol mergulha na técnica mixta, associando a solidez do bronze à leveza do gesso e do fio de ferro, tendo o ser humano como centro de sua temática. Suas personagens são uma homenagem à vida com seus movimentos contemplativos diante do mundo que as cerca, prestes a dar o grande salto!

Já a pintora espanhola Chantal Ripol mostra seus últimos óleos, que são mergulhos no silêncio e na poesia dos livros, no onírico barquinho de papel, no aquário...Um mundo de delicadeza, lúdico, com um trabalho aprofundado sobre cores e uma busca constante do equilíbrio e da composição das formas.

O encontro das duas artistas acontece na famosa Galeria Alfican até 15 de dezembro de 2014.

Filme da semana

E agora vamos falar de cinema e do filme que está sendo super curtido aqui em Paris, "God Help The Girl" , um musical super moderno de Stuart Murdoch, líder do grupo indie pop escocês Belle & Sebastian.

É a história de uma menina que mora no interior da Escócia e tem problemas emocionais e começa a compor músicas. Depois ela vai para a capital Glasgow, conhece dois músicos e acaba formando uma banda. Resumindo, é a história de uma superação que mostra que a gente deve pensar bem no que gosta de fazer antes de escolher uma profissão, como diz o próprio Stuart Murdoch.


"God Help The Girl"

 

Exposição reúne relíquias dos primeiros anos da fotografia

A mostra também exibe artefatos importantes na história da fotografia, como os heliógrafos do inventor francês Nicéphore Niépce, o caderno de desenhos do pioneiro britânico Henry Talbot e seu livro "The Pencil of Nature", a primeira publicação ilustrada com fotos. A imagem ao lado é uma fotomontagem de Angus McBean para um anúncio na revista Vogue, com a atriz Audrey Hepburn em início de carreira (Foto: Royal Photographic Society)

Royal Photographic Society britânica, a mais antiga sociedade de fotografia do mundo, abre coleção com originais de pioneiros da imagem impressa.

Uma exposição em Londres reúne relíquias da sociedade de fotografia mais antiga do mundo, a Royal Photographic Society britânica. Os trabalhos dos pioneiros da arte de capturar imagens instantânea são apresentados ao lado de produções dos grandes fotógrafos modernos. Clique aqui para ver a galeria de fotos.

A mostra também exibe artefatos importantes na história da fotografia, como os heliógrafos do inventor francês Nicéphore Niépce, o caderno de desenhos do britânico Henry Talbot e seu livro The Pencil of Nature, a primeira publicação ilustrada com fotos.

Fundada em 1853, a Royal Photographic Society começou a adquirir imagens após uma sugestão do príncipe Albert, marido da rainha Vitória, de que o grupo registrasse o rápido progresso da fotografia. Ao longo dos anos, a coleção se expandiu para englobar, além de mais de 250 mil imagens, 8 mil itens de equipamento e 31 mil livros, periódicos e documentos. A exposição fica até março de 2015 no Museu de Ciência, em Londres.


Fundada em 1853, a Royal Photographic Society começou a adquirir imagens adotando uma sugestão do príncipe Albert, marido da rainha Vitória, de que o grupo registrasse o rápido progresso da fotografia. Ao lado, a foto "Estudo de movimento", feita em 1926 por Rudolf Koppitz (Foto: Royal Photographic Society).


Ao longo dos anos a coleção se expandiu para englobar, além de mais de 250 mil imagens, 8 mil itens de equipamento e 31 mil livros, periódicos e documentos. Ao lado, a foto chaminé, de Noel Griggs, feita em 1934 (Foto: Royal Photographic Society)

Aliados de guerra, “drones” do século 19 fizeram história

Fotos aéreas ajudavam a determinar coordenadas das forças inimigas
Fotógrafos e engenheiros russos estiveram na vanguarda do desenvolvimento de câmeras que permitiam fotografar movimentos de tropas e terrenos de cima.

Enquanto os viajantes comuns no século 19 ainda confiavam em meios de navegação antigos, a situação dos exércitos era bem diferente. Devido ao crescente alcance da artilharia e da maior mobilidade das forças, os recursos de navegação existentes eram insuficientes. Embora a ciência fotográfica ainda estivesse florescendo, entusiastas tiveram a ideia de fotografar a Terra de cima usando balões e pipas.

As primeiras fotografias aéreas foram tiradas em Paris, em 1858, pelo fotógrafo e balonista francês Gaspard-Félix Tournachon. Na Rússia, os pioneiros da fotografia aérea foram o tenente Aleksandr Kovanko e Dmítri Mendeleev, cientista mais conhecido pela criação da tabela periódica. Em 1885, eles montaram um parque para a formação de oficiais do Exército em aeronáutica e fotografia aérea.

Outro entusiasta da década de 1890, o capitão Serguêi Uliánin desenvolveu pipas em forma de caixa especialmente para a fotografia. Os “drones” do século 19 de Uliánin eram capazes de levantar uma câmera consigo ou servir de receptáculo para uma câmera enviada por corda em uma pequena caixa quando a pipa já estivesse no ar.

No entanto, logo ficou claro que as câmeras existentes não poderiam produzir as imagens desejadas devido a seu ângulo de visão limitado. O engenheiro russo Richard Thiele, que então trabalhava na construção de ferrovias, tentou resolver o problema com um sistema de múltiplas câmeras Ele já vinha desenvolvendo uma estrutura semelhante para tirar fotos panorâmicas ao longo das rotas ferroviárias.

Seu sistema de 1898 consistia em seis câmeras dispostas em torno de uma câmera central, que fotografava a linha do horizonte. As câmeras ao redor forneciam marcadores de referência que permitiam o posicionamento exato de imagens por localidade e criavam um plano ortogonal que minuciosamente preservava o comprimento e a distância das paisagens gravadas.


A câmera contava com um mecanismo de corda que ativava o obturador por meio de um bulbo de borracha que se expandia e bombeava ar ao ganhar altitude Foto: Gazeta Russa

A câmera usava um dispositivo de nivelamento eletrônico para ativar os obturadores assim que estivessem em posição absolutamente horizontal.

Os principais clientes dessas prospecções aéreas eram os militares. Durante a Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905, três batalhões aéreos especializados já estavam usando balões cativos – de hidrogênio ou hélio que ficam presos por cordas – e pipas do tipo de Uliánin para reconhecimento e mapeamento fotográfica de terrenos.

Na década de 1920, as aeronaves foram entrando na jogada. No entanto, uma vez que os aviões ainda ofereciam poucas possibilidades, eles só conseguiram substituir as pipas e os balões gradualmente. Mesmo assim, eles atraíram de imediato entusiastas da fotografia aérea por conta do seu potencial. Aliás, foi a combinação de câmera e aviões que resultou no aperfeiçoamento da fotografia aérea.

Dentro de alguns anos, as descobertas técnicas das décadas anteriores culminaram em novas gerações de câmeras projetadas especificamente para uso aéreo e de reconhecimento, que se tornaram essenciais com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Por causa do trabalho do engenheiro militar e coronel V. Potte, a Rússia já estava bem preparada para essa evolução. Em 1911, Potte criou uma câmera semiautomática para fotografias aéreas. Sua máquina consistia em uma caixa de madeira com chanfro frontal que mantinha a câmera e as lentes com uma distância focal de 210 mm e abertura 1: 4,5. A câmera contava com um mecanismo de corda que ativava o obturador por meio de um bulbo de borracha que se expandia e bombeava ar ao ganhar altitude.

Sem necessidade de recarga em separado após cada tiro, a máquina podia fazer 50 imagens sucessivas de 13 x 18 centímetros quando acoplada a uma aeronave. O projeto foi tão bem sucedido que as fotografias resultantes também puderam ser usadas para produzir mapas topográficos precisos.

Imperador russo Nikolai II (esq.) e Serguêi Uliánin (dir.) 
A câmera de Potte foi usada por toda a década de 1920 e serviu de base para o desenvolvimento de uma câmera noturna em 1930.

Serguêi Uliánin também tinha inventado um tipo de câmera aérea que foi construída especificamente para aeronaves e era ideal para fins militares. A câmera tinha altímetro pneumático e um relógio que codificava imagens 13x13cm. No entanto, ao contrário do modelo de Potte, essa máquina não era automática e tinha que ser operada manualmente a partir da aeronave.

Fotografia aérea na Primeira Guerra

A Primeira Guerra Mundial foi travada principalmente por meio de trincheiras, posições fortificadas e artilharia pesada. Determinar as coordenadas das forças inimigas era essencial, e a fotografia aérea dava aos exércitos uma vantagem no campo de batalha.

A câmera de Potte
Mas o avião tinha que voar baixo para conseguir boas imagens e, como esses aviões não eram blindados, seus pilotos também se arriscavam para obter dados precisos.

Quando o Exército russo adentrou a Galícia (na atual Ucrânia), no início da guerra, câmeras aéreas foram fundamentais para invadir cidades fortificadas. Em dezembro de 1914, o tenente N. Mulko voou inesperadamente ao longo dos canhões inimigos a uma “altura insignificante” para obter fotos dos reforços em torno da fortaleza austríaca de Przemysl, de acordo com relatórios militares. Isto permitiu ataques efetivos à fortaleza, incluindo fotos do bombardeio.

Em abril de 1917, 198 aviões russos estavam equipados com a câmera de Potte, e 77 com o modelo de Uliánin. Além disso, 114 aviões transportavam outros tipos de câmera. Cerca de 1,5 milhões de fotografias aéreas foram tiradas pelas forças russas durante a guerra.

Apesar dos tumultos da Revolução de 1917, a fotografia aérea continuou a se desenvolver a um ritmo acelerado na Rússia e na União Soviética. Em 1931, a União Soviética havia ultrapassado o resto da Europa no que dizia respeito ao território nacional já fotografado a partir do céu.



Aleksandr Korolkov
Doutor em Ciências Históricas.

Fotógrafa revela paisagem da cidade a partir da rotina de lares paulistanos


Trabalho terá mostra no Itaú Cultural entre 6 de dezembro e 11 de janeiro. Fotografias também viraram livro em formato inusitado e aplicativo.

O Itaú Cultural, na Avenida Paulista, recebe entre 6 de dezembro e 11 de janeiro uma exposição que resume os mais recentes trabalhos da fotógrafa Cláudia Jaguaribe dedicados a São Paulo.

Imagens captadas em voos de helicópteros estarão ao lado de outras que mostrarão a cidade a partir do interior das casas de paulistanos.A mostra tem 50 fotografias.

As imagens são uma espécie de síntese de um trabalho que começou em 2011 e resultou em dois livros. O primeiro deles, chamado "Sobre São Paulo", retrata a visão aérea panorâmica de cidade. O segundo livro, "Entrevistas", foi lançado neste mês e mostra a paisagem da cidade a partir do interior de mais de 70 casas e apartamentos paulistanos.

“(Entrevistas) é a continuação do trabalho que começou com Sobre São Paulo. Só que agora fotografei a cidade, com seus contrastes, de dentro das casas, além de mostrar os próprios ambientes e os moradores”, explica a fotógrafa.

Na exposição, Cláudia Jaguaribe mostra duas escalas da cidade: o gigantismo de uma metrópole que, vista do alto em fotos sequenciais, parece não ter fim. Por outro lado, de dentro das casas, a dimensão humano e os dramas dos seus habitantes ganham espaço nobre.

Tanto em "Sobre São Paulo" quanto em "Entrevistas", um dos desafios é descobrir marcos ou reconhecer avenidas. No mais recente trabalho, o olhar é conduzido pela intimidade de moradores que enxergam por suas janelas pedaços do Jaguaré, Morumbi, Brás, Água Funda e Jardins, entre outros bairros.

Novo livro ganha versão digital
O livro Entrevistas, publicado pela Editora Madalena, ganhou também formato para smartphone e android - um APP interativo. “Ampliei o projeto, que é resultado de uma extensa pesquisa e tem desdobramentos muitos diferentes, incluindo a exposição que mostra imagens dos dois livros, fotoesculturas, projeções, e um APP”, conta.

“Em Entrevistas temos uma espécie de inversão da visão que se tem no primeiro livro, contrapondo a colossal massa construída da cidade observada de longe, das fotos aéreas e de coberturas, a uma dimensão mais íntima, observada de dentro das casas, daí o título”, comenta a fotógrafa.

As pessoas fotografadas foram entrevistadas, e a partir das conversas foi montada uma visão do conjunto. No aplicativo, além das imagens dos dois livros, estão as entrevistas, imagens em vídeo de percursos na cidade e detalhes das casas.

“Neste projeto, tento fazer a ligação entre o espaço privado, o seu morador – a partir da imagem da sua casa – e o espaço público, a cidade. O resultado é um panorama duplo da visão de dentro para fora e da privacidade dos habitantes”, explica Claudia.

Formato
No livro em papel, as imagens panorâmicas foram montadas em formato leporello, permitindo que a abertura simples do livro crie novos enquadramentos nas imagens. As fotografias também podem ser visualizadas na íntegra quando quatro páginas do livro são desdobradas, formando a ampliação de 21,5 cm por 76 cm por página.
Imagem registrada por Cláudia Jaguaribe
Imagem registrada por Cláudia Jaguaribe para Entrevistas (Foto: Claudia Jaguaribe/Divulgação)Imagem registrada por Cláudia Jaguaribe 

Sebastião Salgado | arte e politica B&W


Estranho seria não se emocionar com os clicks de Sebastião Salgado. 

O mineiro de 70 anos é considerado o maior fotógrafo vivo da atualidade, não apenas por suas belíssimas imagens, mas por sua coragem e aventuras tão humanas, nas quais mergulha para registrar as realidades do mundo a fora. 

O ativismo político corre em suas veias e, muitas vezes, as imagens retratam os protestos do fotógrafo que já esteve exilado na França durante a ditadura militar. Descobriu a fotografia com 29 anos em uma viagem para a África, onde com a câmera fotográfica da esposa, nasceram os primeiros registros do economista. Desde então, Sebastião tem se dedicado à fotografia e feito dela sua arma para lutar pelos direitos humanos, civis, intervenção política e denúncias. 

Os lugares onde costuma fotografar trazem uma cultura totalmente diferente da que estamos habituados, sendo a biodiversidade um ponto crucial em suas fotografias. Já esteve na Sibéria, Etiópia, Madagascar, Ilhas Galápagos e muitos outros cantos do mundo que são pouco lembrados. São lugares habitados por homens, mulheres e crianças que vivem em situações que não se descreve com palavras, mas com as imagens de Sebastião Salgado. 

Lugares onde talvez ninguém esteve antes, não com o mesmo olhar. 

Podemos perceber a grandeza e sensibilidade das suas fotos com poucas características gritantes: preto e branco e LUZ.