Editorial
Posted on 3/01/2000 by UNITED PHOTO PRESS
Para os fotógrafos nada é indiferente. Nada lhes passa despercebido nada é desprezível. Na sua produção incansável de imagens só têm como critério fugir do consensual, daquilo que se afirma a partir das imagens produzidas por todos os outros não fotógrafos.
As suas imagens passam pela construção de uma contracultura; não exactamente no sentido radical de ruptura com a realidade social mas num sentido em que, precisamente, a partir dessa realidade, supostamente indiferente e perversamente domesticada, se afirmará o seu olhar irónico, crítico ou redentor.
No caso este olhar pode ser muito subtil: dissimulado num enquadramento de uma empena lateral; na atenção sobre um objecto deslocado; na inquietação do que não se consegue ver por um tapume; ou sobre um sentido generalizado de inacção…
No conjunto a atenção sobre objectos e espaços que, não sendo necessariamente disfuncionais, também não se esforçam por expressar sentido. Esta leitura é ainda reforçada pela ausência de pessoas o que contribui ainda para um afastamento da tradicional composição entre figura e fundo. No plano destas imagens tudo se torna sujeito.
Carlos Alves de Sousa
Presidente da United Photo Press
