World Press Photo 2011 winners
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Winners of the World Press Photo contest, which recognizes excellence in photography, were released Friday. The winners were selected from more than 100,000 ...
“Registrar a devastação me destrói por dentro”
Posted on 9/30/2008 by UNITED PHOTO PRESS
É o lamento silencioso, mas muito significativo, do fotógrafo gaúcho Rodrigo Baleia, que há oito anos trabalha documentando a cruel devastação da última grande floresta tropical do planeta. Em seu depoimento ao site Globo Amazônia, lançado pela TV Globo para registrar os desmates e as queimadas da Amazônia e captar os protestos dos brasileiros contra a sua destruição, o fotógrafo fala de sentimentos que, por si só, traduzem a crueldade que se comete contra a flora e a fauna da região. "As árvores parecem corpos. São seres vivos que acabaram de morrer. Tenho vontade de pedir desculpas. É minha espécie que está fazendo isso”, diz Rodrigo Baleia, ao mostrar toda a sua tristeza de ver a mata sendo devastada. Falando ao repórter Dennis Barbosa, do Globo Amazônia lembra que vai à Amazônia duas vezes por ano desde quando, como ex-estudante de biologia, passou a realizar seu sonho de registrar o trabalho científico, a fauna e a floresta da região da grande floresta. O fotógrafo assinala que seu principal trabalho é fazer registros da destruição da floresta, que sirvam como denúncia."A primeira vez em que estive na Amazônia foi com o Greenpeace. Fiquei três meses e meio embarcado num navio, viajando pela região. Participei daquela campanha e, desde então, me convidam para documentar os trabalhos deles na região”, diz Baleia em seu depoimento. Segundo ele, visitar a Amazônia é uma experiência triste. "A cada ano que vou é mais destruição. E ela tem uma escala gigantesca. As coisas estão sempre de mal a pior. Muitas vezes perco a minha fé, pois nesses anos todos só vi destruição. Vi muita gente subindo em palanque, mas nada sendo feito. Por isso acho importante todos fazerem sua parte. Uso minha fotografia para denunciar isso", destaca. O fotógrafo assinala, ainda, que é chocante constatar que fora da Amazônia as pessoas não tenham amplo conhecimento da situação. "Quando volto, todos querem saber das belezas de lá, dos animais, das plantas. Mas poucas vezes me deparo com as belezas. Onde vou, as pessoas querem me matar, ameaçam meus colegas. O pessoal do Ibama também sofre e é ameaçado. As pessoas não imaginam que nesses lugares, se você botar os pés para fora do avião com uma máquina no pescoço, pode não voltar vivo", ressalta. Residente atualmente em São Paulo, o fotógrafo, de 37 anos, revela estar de mudança marcada para Manaus (AM), onde pretende dar continuidade a seu trabalho de documentar a floresta. "As fotos aéreas me chocam muito porque mostram a escala da destruição. Toda vez fico abalado. Você está a alguma centenas de metros de altura e vê queimada até o horizonte. É uma coisa muito forte ver essas queimadas de cima", conta. O fotógrafo gaúcho explica que é da revolta contra o desmatamento que tira força para seguir trabalhando: "Sinto muita impotência em ver que está tudo queimando e não há nada que possa ser feito. É uma coisa que me destrói por dentro. Mas nada que uma chorada dentro do avião não recomponha, dando-me ânimo para a próxima”, completa Baleia.