Popularização do digital compromete memória fotográfica mundial

Posted on 7/08/2009 by UNITED PHOTO PRESS


Com computadores e CDs repletos de fotos malfeitas em momentos banais, a memória da geração atual começa a se perder.


Uma imagem nos olhos, uma câmera na mão, uma memória eternizada. A fotografia surgiu e firmou-se como meio de gerar provas físicas de momentos alegres ou tristes e atravessou o último século sendo utilizada por pais e filhos para proteger a história das famílias contra o esquecimento. No início do século 21, porém, as fotos de papel, compiladas em álbuns e caixas, começaram a ser substituídas pela digitalização: máquinas cada vez menores e leves, que faziam o serviço de guardar a "memória" de um momento em muito menos espaço e com menos trabalho. Hoje, qualquer um pode tirar fotos - muitas fotos. Milhares delas: "Pode-se tirar 300 fotos por dia, em média. Mas o interesse acaba muito rápido e ninguém revela as fotos", explica Carlos Alves de Sousa, fotógrafo há mais de 15 anos da United Photo Press. Com computadores e CDs repletos de fotos malfeitas em momentos banais, a memória da geração atual começa a se perder. Carlos Sousa, divide o uso da fotografia em três fases: primeiro, o fotógrafo era figura célebre, havia apenas um em cada cidade, só requisitado em momentos especialíssimos de uma família, como casamento, festa de um ano e primeira comunhão. Os filhos dessa geração já foram apresentados à câmera fotográfica portátil, com negativo, e passaram a fotografar os filhos, mas também nesses momentos "chave", em passeios e viagens. Hoje, os jovens montam fotologs (páginas na internet para adição de fotos e informações pessoais) a partir dos 8 anos, com câmeras digitais: "Antes você levava para a praia, no fim de ano, 3 rolos de 36 poses. Hoje você leva uma máquina e faz 1,5 mil fotos, mas não revela uma. Um conhecido foi para Cancun e descarregou suas fotos em um notebook. Ao chegar no Brasil, o notebook foi roubado e ele perdeu tudo. É como se não tivesse viajado", conta Carlos Sousa. Assim, a renovação do mercado se faz obrigatória. Segundo o fotógrafo, a quantidade de revelação de fotos de papel caiu muito desde o início da década, mas começa a ganhar novo fôlego. Álbuns também são produzidos, atendendo ao orgulho de mães de debutantes e formandos. Um item acrescido ao inventário de produtos fotográficos para os clientes da United Photo Press é o Foto-livro: como o antigo álbum de foto do bebê, ele seleciona momentos, mas é feito com fotos digitais e itens escaneados, não mais colados no álbum: "Há um software para que os pais possam selecionar e montar as páginas do álbum com as fotos que fizeram em câmera digital", diz. O que ele testemunha, no entanto, é que poucos se dão ao trabalho de fazerem isso sozinhos: preferem levar o arquivo digital para o estúdio e deixar que o fotógrafo monte o mimo.

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