World Press Photo 2011 winners
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Winners of the World Press Photo contest, which recognizes excellence in photography, were released Friday. The winners were selected from more than 100,000 ...
Sopro de vida no barro
Posted on 6/04/2009 by UNITED PHOTO PRESS
Ao retratar a arte do Mestre Vitalino com imagens em preto & branco, o fotógrafo Pierre Verger faz o barro se confundir tanto com as texturas da pele do escultor quanto com a terra de onde ele retira a matéria-prima usada na modelagem, em uma comunhão de tons que traduz as relações do homem com a natureza e os sentidos culturais e sociais expressos pela tradição das esculturas de cerâmica de Caruaru.
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O Instituto Cultural Banco Real inicia hoje uma exposição que apresenta ao público 140 fotos, a maioria inéditas, resultantes do encontro entre os dois artistas.
Foi em 1947 que Pierre Verger (1902-1996) encontrou Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), que ainda não era famoso na época e vivia na informalidade no Alto do Moura, onde produzia as peças junto com seus filhos para vender na Feira de Caruaru. O fotógrafo francês havia acabado de chegar no Brasil e passou seis meses em Pernambuco.
"Vitalino tinha 37 anos em 1947 e só começou a ser reconhecido na década de 1950. O olhar especial de Verger o identificou antes", informa o antropólogo Raul Lody, curador da exposição. Segundo o pesquisador, as fotos formam uma "grade etnotecnológica", pois retratam detalhes de cada passo do processo de produção dos bonecos e animais de barro. Além de ser carregada de expressividade plástica e estética, a série preserva a descrição visual dos procedimentos de extração do barro, a modelagem das figuras, a pintura delas e a comercialização na feira.
Um conjunto de fotos distribuídas em uma mesma parede promove uma espécie de catalogação dos temas clássicos de Vitalino, onde podem ser identificados verdadeiros ícones do imaginário nordestino dos bonecos de barro, como os bois e vacas, os cangaceiros, a ciranda, os músicos populares, os próprios artesãos do barro, o caçador que sobe em uma árvore para atirar em uma onça e outros hábitos e rituais do cotidiano. O escultor também demonstra um desapego em relação ao preservacionismo folclórico ao reproduzir também a presença de elementos modernos em seu meio, como uma motocicleta pilotada por um senhor de chapéu e gravata. "Ele era um repórter de sua realidade", considera Lody.
A exposição tem uma cenografia formada por detalhes em argila e exibe ainda vídeos formados por filmes antigos que registraram a feira de Caruaru e o próprio Mestre Vitalino em movimento, filmados em super 8 por cineastas como Fernando Spencer. Na trilha sonora da sala, o público ouve músicas tocadas pelo próprio Vitalino, que integrava a banda de pífanos Zabumba do Mestre Vicente, gravada na década de 1950 pelo musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.
A exposição celebra os 100 anos de Vitalino e envolve ainda um seminário com depoimentos do filho do artista, Manuel, em três palestras nos dias 8 de junho (19h), 8 de julho (19h) e 8 de agosto (10h). Todas as imagens têm formato quadrado, pois Verger sempre fotografava com uma câmera Rolleiflex. Das 140 fotografias da série, pertencentes à Fundação Pierre Verger (Bahia), 109 estão nas paredes e as outras 31 são vistas apenas nos monitores de vídeo. A maioria nunca havia sido revelada e permanecia arquivada em negativos. A figura de uma mão que amassa o barro recebe um destaque especial na mostra, pois sintetiza o ofício do mestre.
Serviço
Exposição Arte do barro e o olhar da arte: Vitalino e Verger
Quando: Abertura para convidados hoje, às 19h. Em cartaz até 30 de agosto
Onde: Instituto Cultural Banco Real (Avenida Barão do Rio Branco, Marco Zero, Bairro do Recife) Informações: 3224-1110
Foi em 1947 que Pierre Verger (1902-1996) encontrou Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), que ainda não era famoso na época e vivia na informalidade no Alto do Moura, onde produzia as peças junto com seus filhos para vender na Feira de Caruaru. O fotógrafo francês havia acabado de chegar no Brasil e passou seis meses em Pernambuco.
"Vitalino tinha 37 anos em 1947 e só começou a ser reconhecido na década de 1950. O olhar especial de Verger o identificou antes", informa o antropólogo Raul Lody, curador da exposição. Segundo o pesquisador, as fotos formam uma "grade etnotecnológica", pois retratam detalhes de cada passo do processo de produção dos bonecos e animais de barro. Além de ser carregada de expressividade plástica e estética, a série preserva a descrição visual dos procedimentos de extração do barro, a modelagem das figuras, a pintura delas e a comercialização na feira.
Um conjunto de fotos distribuídas em uma mesma parede promove uma espécie de catalogação dos temas clássicos de Vitalino, onde podem ser identificados verdadeiros ícones do imaginário nordestino dos bonecos de barro, como os bois e vacas, os cangaceiros, a ciranda, os músicos populares, os próprios artesãos do barro, o caçador que sobe em uma árvore para atirar em uma onça e outros hábitos e rituais do cotidiano. O escultor também demonstra um desapego em relação ao preservacionismo folclórico ao reproduzir também a presença de elementos modernos em seu meio, como uma motocicleta pilotada por um senhor de chapéu e gravata. "Ele era um repórter de sua realidade", considera Lody.
A exposição tem uma cenografia formada por detalhes em argila e exibe ainda vídeos formados por filmes antigos que registraram a feira de Caruaru e o próprio Mestre Vitalino em movimento, filmados em super 8 por cineastas como Fernando Spencer. Na trilha sonora da sala, o público ouve músicas tocadas pelo próprio Vitalino, que integrava a banda de pífanos Zabumba do Mestre Vicente, gravada na década de 1950 pelo musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.
A exposição celebra os 100 anos de Vitalino e envolve ainda um seminário com depoimentos do filho do artista, Manuel, em três palestras nos dias 8 de junho (19h), 8 de julho (19h) e 8 de agosto (10h). Todas as imagens têm formato quadrado, pois Verger sempre fotografava com uma câmera Rolleiflex. Das 140 fotografias da série, pertencentes à Fundação Pierre Verger (Bahia), 109 estão nas paredes e as outras 31 são vistas apenas nos monitores de vídeo. A maioria nunca havia sido revelada e permanecia arquivada em negativos. A figura de uma mão que amassa o barro recebe um destaque especial na mostra, pois sintetiza o ofício do mestre.
Serviço
Exposição Arte do barro e o olhar da arte: Vitalino e Verger
Quando: Abertura para convidados hoje, às 19h. Em cartaz até 30 de agosto
Onde: Instituto Cultural Banco Real (Avenida Barão do Rio Branco, Marco Zero, Bairro do Recife) Informações: 3224-1110
