New York Times retira da net trabalho fotográfico de Edgar Martins
«Eu acho que tudo não passa de um mal entendido. O Edgar Martins não é um fotojornalista», disse José Mário Brandão, da galeria Graça Brandão, que tem sido galerista do autor português nos últimos cinco anos.
Edgar Martins, 32 anos e vencedor este ano do Prémio BES Photo, foi convidado pelo jornal New York Times para um projecto editorial sobre a recessão económica nos Estados Unidos. O artista português percorreu 19 cidades dos Estados Unidos em 21 dias e o resultado deste trabalho foi publicado no passado domingo na revista do New York Times e numa fotogaleria no site oficial do jornal.
Na quarta-feira, o diário nova-iorquino decidiu retirar o trabalho jornalístico, intitulado Ruins of the Second Gilded Age, da Internet, alegando que Edgar Martins manipulou as imagens digitalmente.
No endereço onde antes estavam as imagens de Edgar Martins, o New York Times escreveu que foi um leitor que alertou a redacção para o facto de as fotografias terem sofrido alterações digitais, «aparentemente por razões estéticas».
Inicialmente, o New York Times apresentou este trabalho de Edgar Martins como tendo «imagens de longa exposição e sem manipulação digital».
José Mário Brandão, galerista de Edgar Martins em Portugal, lamentou a decisão do New York Times, sublinhando que «há um mal entendidoem toda a situação» e que o artista português nem terá conhecido o layout do trabalho.
Contactado hoje pela Lusa, Edgar Martins, actualmente em Portugal, remeteu para mais tarde qualquer explicação ou comentário.
Em Abril, quando recebeu o Prémio BES Photo, Edgar Martins mencionou à Lusa que estava a trabalhar nesta encomenda do York Times, sublinhando que não era nem jornalista, nem fotojornalista.
«Não sou jornalista nem fotojornalista, mas a editora do jornal conhecia o meu trabalho, que tem um carácter intemporal, e convidou-me a fazer uma abordagem da crise», explicou na altura.
Edgar Martins nasceu em Évora em 1977, cresceu em Macau e estudou em Londres, onde vive desde 1996 e tem apresentado muito do seu trabalho.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Português de Fotografia, da Fundação Ilídio Pinho, Fundação Oriente, Instituto de Estudos Europeus da China, Fundação Macau e o Arts Council entre 2000 e 2007.
A sua primeira monografia, intitulada "Buracos Negros e Outras Inconsistências" recebeu vários prémios, incluindo o Thames & Hudson, o RCA Society Book Art Prize, e o Jerwood Photography Award de 2003.
Em Outubro irá expor na Madeira e em Lisboa, na Galeria Graça Brandão.