Carlos Filipe Apresenta "PORTOFOLIO"

Posted on 1/12/2010 by UNITED PHOTO PRESS


O Fotógrafo da United Photo Press Carlos Filipe expõe de dia 16 de Janeiro a 16 de Fevereiro de 2010 o seu “Portfolio” encerrando assim um ciclo de dois anos a registar, editar e compilar 630 dias de “momentos” em 22 imagens. “Portfolio” oferece aos seus visitantes uma viagem por dois mundos: Um repleto de cor, o imaginário, o irreal e o simbolismo e outro, a preto e branco, onde os olhares de pessoas, a dor, a perda, o pensamento e o desejo de algo melhor rodeiam os olhares de quem os visita.

A exposição estará patente na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Aljustrel.




Entrevista com Carlos Filipe pelo jornal "Impacto da Região"

Um fotografo à frente da objectiva

É um homem de convicções fortes e promete dar que falar neste concurso de beleza do Facebook. Mais que ser “Mister”, este algarvio (nascido em Aljustrel, Alentejo) quer ser conhecido pelo que faz: a fotografia. E basta ver o seu perfil para saber que não é um fotógrafo qualquer. É arrojado, arriscado, criativo e ousado. Não se fica pela rama das coisas, cria obras de arte com a sua objectiva e com os seus modelos.

Criatividade, atrevimento e audácia não lhe falta. Ao Impacto da Região, numa entrevista divertida e descontraída, Carlos Filipe define-se como “um turbilhão de emoções”. Deixamos, então o Carlos falar na primeira pessoa: “desde muito cedo comecei a trabalhar, primeiro para pagar os meus estudos, depois para começar a comprar coisas que não conseguia ter. Formei-me em línguas, informática, teatro e fotografia porque sempre gostei da área das artes”. Ganhou alguns prémios e teve “ofertas que recusei por questões financeiras”.

Desde há dois anos “abracei o meu projecto pessoal de fotografia. Criei o meu nome, comecei a fazer trabalhos gratuitos para divulgar o meu nome, apenas para me darem uma oportunidade”. Criou o seu próprio site copiando “lições da internet de como fazer webdesign. Fiz cartões de visita, perfis em tudo o que é site”. E continua a fazer isso, todos os dias. “Seja no Facebook, seja por correio para varias empresas que, provavelmente, nunca ouviram falar de mim. Vou gastar uma fortuna mas nunca se sabe o futuro, não é?”. “Se não as enviar nunca saberão quem sou. Quero um dia ver os meus trabalhos publicados numa grande revista mas que saibam quem eu sou”.

E não faz isso só por e para si. “Quero fazer isso para dar uma grande alegria aos meus pais adoptivos que sempre me apoiaram desde o início desta minha febre fotográfica”. Afinal, já diz o ditado popular, “água mole em pedra dura tanto dá ate que fura”.

Um projecto que conta, com orgulho, foi crescendo e amadurecendo. “Neste momento trabalho com varias entidades a nível de fotografia”. Ao projecto [que pode ser consultado em http://www.carlosfilipe.com/ ] entrega-se de corpo e alma. “Amo o meu projecto. Vivo nele 24 horas por dia, trabalho entre 17 a 18 horas e as horas que fico em casa projecto coisas novas. Faz parte de mim”, refere.

Avaliar a sua imagem...
Chegado a aqui, e com tantas horas gastas em trabalhos fotográficos, porquê concorrer a mister Facebook?
Responde o Carlos: “acompanhei todo o concurso o ano passado, votei e travei amizade com alguns concorrentes. Alguns viam as minhas fotos e diziam que deveria concorrer no próximo ano. Quando abriram as inscrições não pensei duas vezes e inscrevi-me. Quero saber que hipótese teria como modelo uma vez que passo a vida atrás da câmara a fotografa-los. Espero deste concurso obter um feedback da minha imagem... saber o que sentem todos aqueles que fotografo, como é estar em frente da máquina e não atrás dela”.

Sendo um concurso onde a beleza, por vezes, aparece antes de tudo o resto, Carlos Filipe deixa uma mensagem: “Alguns candidatos e candidatas valorizam apenas o corpo mas existem vários onde que se nota uma vontade de mostrar mais do que isso. Não se restringem a fotos físicas. Mostram mais do que apenas pele, mostram charme, postura. Verdadeiros modelos a demonstrarem sensualidade sem ser algo cru sem sentimento”.

O fotógrafo – a fazer de modelo – está na expectativa. Um bom resultado confessou ao Impacto da Região, seria ficar entre os “quinze primeiros”. Seria, diz, “um óptimo percurso até aí e ficaria muito feliz (e surpreendido também) pela positiva”.

Alem de querer promover a sua imagem como todos os outros, Carlos quer também mostrar o que faz. “Tenho trabalhos em varias áreas, promovo várias entidades e eventos e seria uma boa forma de divulgar ainda mais todos estes projectos”.

As cartas estão na mesa, alguns trunfos ainda estarão guardados e agora é só aguardar para ver que resultado terá o fotógrafo que trocou de lugar com o modelo. Como se diz no seu Alentejo profundo, Carlos foi às sortes. Será que se safa?

O homem e os gostos...
Solto, dinâmico, frontal, o jovem de Portimão define-se “como o verdadeiro nativo de escorpião”. Conta ele que é “teimoso, persistente, tenho a cabeça cheia de sonhos que tento realizar... e à medida que realizo alguns e penso que vou ficar mais aliviado… eis que surgem novos sonhos e metas a atingir”. E ainda há mais… “sou empenhado no que quero fazer, lutador, persistente, teimoso, dedicado, atiro-me de cabeça no que quero fazer e luto para chegar onde quero”.

E defeitos, haverá? “Vários”, diz a sorrir. “Sou muito ansioso, teimoso (se bem que teimoso insiro nos defeitos/qualidades) e rancoroso. Não me esqueço facilmente do que me fazem”. Pára um pouco, reflecte e volta a falar. “Sabe, neste momento, se queremos sobreviver temos sempre de dormir com um olho fechado e outro aberto. Se não tivesse estes defeitos provavelmente não sobreviveria muito tempo”.

Gosta de “ver fotografias antigas tiradas com os amigos em festas, receber elogios, (isto, claro seguido de corar), tirar dias do meu trabalho fugir para o Alentejo e passar dois dias na companhia dos meus pais adoptivos. Adoro quando me fazem surpresas e quando faço anos”.

Ouve muita música mas é "World trade center piano theme", do Craig Armstrong, a que mais lhe diz. “Oiço todos os dias ao final do dia, antes de ir dormir, às vezes até a meto no Facebook porque é uma música que nos faz lembrar quem gostamos e já partiu. É uma forma de dizer boa noite à minha avó, que me criou desde pequenino, e que partiu muito repentinamente”.

Também lê muito. Agora, mais livros de fotografia para aprender sempre mais. Mas também gosta de ficção. “Histórias que poderiam acontecer comigo e que me transportam para o argumento, que me façam pensar, façam pousar o livro antes de dormir já com vontade de lhe pegar na noite seguinte”. "O velho que lia romances de amor", de Luís Sepúlveda, é o que gostava de ler de momento.

Animação total no seu perfil
No Facebook há mais de um ano, influenciado por familiares que tem em Bruxelas (“lá o Facebook era palavra de ordem”). Aderiu e, até hoje, nunca mais parou. “ Estou sempre a crescer até que associei o meu trabalho, pois é uma óptima forma de mostrar o que se faz a medida que se conhece amigos nem que seja virtualmente... posso dizer que já me deu grandes amigos e grandes trabalhos também”.

Na rede social do momento há sempre estórias fabulosas. Vamos a mais uma. Esta made in Carlos Filipe . “Eu mudei bastante fisicamente de há alguns para cá e perdi contacto com muitas pessoas. Uma vez encontrei uma amiga que já não via há muito tempo no Facebook e pedi-lhe amizade. Recusou.

Repeti o pedido. Recusou.
Há terceira tive de enviar mensagem a dizer-lhe que era eu, o rapaz que brincava com ela quando éramos crianças e dizer montes de coisas para ela se recordar.

Ela respondeu que esse rapaz era gordo, portanto, não poderia ser eu! Só consegui que ela me aceitasse e acreditasse depois de falar com três amigos que tínhamos em comum que fizeram de tudo para lhe fazer ver isso. Ela pensava que eu era um tarado e ela só aceitava amigos que conhecia realmente”. Um “drama”, este reencontro de velhos amigos. A história, confere Carlos, acabou em bem e os dois amigos de infância já recordam bons momentos. Tirando isso, refere o fotógrafo, “já cheguei a receber mensagens no telemóvel – pois o número é público – das Honduras a dizer ‘Hello. Got your number from internet! Nice photos. Nice greetings from honduras’”.

A verdade é que o seu perfil no Facebook é sempre uma grande animação. Na noite da entrevista ia uma grande animação por lá. “Não sou conhecido em lado nenhum. Conhecem-me no Facebook porque entupo todos os dias aquilo com fotos, vídeos que faço e, de vez em quando, crio os meus tops especiais em que selecciono sempre três vídeos sobre vários temas... tenho amigos virtuais que já acompanham os tops que faço”.

E foi assim que encontramos as três músicas perfeitas para namorar no carro e a três músicas perfeitas para bailar com a vizinha no baile da igreja. Por lá, diz quem sabe, também é costume aparecerem vídeos de desenhos animados antigos, músicas antigas, anúncios de televisão… afinal, como diz o Carlos, “para quem vive sozinho sabe bem ter companhia nem que seja num computador ao final do dia e rir um bocadinho, conversar”.

A fotografia, o seu mundo.
A fotografia para Carlos Filipe é um mundo. “Gosto muito de fotografar pessoas. Não necessariamente as fotos convencionais mas mais as fotos conceptuais. Gosto de criar ambientes, situações... Pegar numa pessoa e criar uma história com ela... faze-la viver essa história”.

Um exemplo real? “Convidei uma amiga extremamente tímida e resolvi coloca-la a sair, praticamente nua (porque nunca se despiria) de dentro de uma parede de jornais...

Para todos os efeitos ela era a pessoa que outra fora tímida e estava naquele momento no centro das noticias... contar historias através de fotos... abraçar campas de cemitérios para simbolizar a perda dos entes queridos. Gosto de criar imagens simbolistas em que cada pessoa que vê a foto retira algo com que se assemelha”. Estas fotos podem ser vistas em http://olhares.aeiou.pt/carlosfilipe

Contacto: carlos.filipe@unitedphotopressworld.org

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